A REFORMA DA LETRA DO HINO – PURO MÉTODO...

o hino fala em povos, não em raça, e é “necessário conhecer a História para entender que muitos povos virtuosos foram escravizados ao longo dela

Por SILVIO MUNHOZ 18/02/2021 - 21:10 hs

“Daqui a pouco, a nossa história não terá datas nem nomes, nem batalhas, nem episódios. Só terá ideologia – a rígida ideologia totalitária que os comunistas querem impor à juventude”. Sandra Cavalcanti[1]

 Causou grande celeuma o episódio da posse da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, quando alguns edis, que assumiam, negaram-se a cantar o hino riograndense, pois seria racista por conter o verso “povo que não tem virtude acaba por ser escravo” e, poucos dias depois, segundo notícias, um Deputado – do PT é lógico, alguém surpreso? - entrou com projeto de lei para alterar a letra do hino[2].

 Confesso que pensei, inicialmente, em nosso patrono da educação, cujo sistema para alfabetizar não passava de “suposto método milagroso de alfabetização cantado em prosa e verso para justificar a utilização de processos revolucionários e subversivos junto aos adultos analfabetos[3]” e que, sabidamente, embora aprendam a ler, não conseguem interpretar corretamente os textos, fato já constatado quando foi exportado e aplicado em alguns países da África: “dentre os 26.000 alunos envolvidos no processo de alfabetização, não se podia contar com nenhum a ser considerado como ‘funcionalmente alfabetizado”, pois quando eram “questionados sobre o que eles estavam lendo e escrevendo, a compreensão era nula: eles não podiam entender nada”.[4]

 Não é necessário ir muito longe, pois os resultados desastrosos do Brasil no PISA comprovam, sendo que no último exame: “apenas 2% dos jovens brasileiros alcançaram níveis altíssimos de compreensão em leitura, no qual são capazes de entender textos mais longos e ideias contraintuitivas ou abstratas[5]”. Ou seja, a grande maioria dos estudantes brasileiros não consegue interpretar, corretamente, um texto... Consequência lógica da utilização, por décadas, desse método que visa politizar e ideologizar, não educar.

 O pensamento me ocorreu, porque há grosseiro erro de interpretação, o hino fala em povos, não em raça, e é “necessário conhecer a História para entender que muitos povos virtuosos foram escravizados ao longo dela: Judeus, Eslavos, Africanos e outros. Muito triste. Mas é ela que nos mostra também que o povo que abdicar das virtudes, que for submisso, que aceitar o fim das Liberdades sem reclamar será escravizado voluntariamente, sem qualquer resistência”.[6]  Nenhum povo foi mais perseguido – com várias tentativas de extermínio – e escravizado na história que o povo judeu.  Alguém acha mesmo que não sendo virtuoso ainda existiria e, mais, criaria um País próprio?

 O próprio exemplo do Rio Grande do Sul – que desenhou nossas fronteiras com Uruguai e Argentina a pata de cavalo e ponta de lança e, depois, quando tentaram escravizar não física, mas materialmente, pois o Governo Central nada concedia e, em contrapartida, aumentava cada vez mais os impostos, reagiu e sustentou um confronto de 10 anos contra o império - demonstra o conceito do hino.

  Entretanto, por ser tão grosseiro o equívoco comecei a pensar na outra hipótese: a dos neo- iconoclastas que, “por entenderem que muitos monumentos, estátuas e obras de arte refletem um passado pecaminoso, colonialista, escravocrata ou seja lá o que for, não merecem existir”[7]. Em síntese, a aplicação efetiva, continuada e metódica de táticas desenvolvidas na guerra cultural que vivemos, para fazer verdadeira engenharia social.  Apagando da mente dos mais jovens tudo aquilo, todos os conceitos básicos que forjaram nossa civilização.

  Não percebem, pois usam antolhos, que a remoção ou mudança de significado de palavras não resolve o problema, passar a chamar a pessoas negras de ‘afrodescendentes’ não apaga o fato de que existiu escravidão e a existência, ainda hoje, de racismo, com maior ou menor intensidade, em vários lugares do mundo... O fato de destruírem estátuas de descobridores -colonialistas – não apaga o fato de que a América foi descoberta por Cristovão Colombo e o Brasil por Pedro Alvares Cabral, ou seja, só demonstra o desprezo que possui quem assim age por nossa história, nossa cultura, nosso passado, bem retratada na frase que usei como epígrafe da crônica...

  Pior, não percebem que precisamos estudar o passado, para bem aferir os erros e acertos e forjar um presente descartando àqueles e privilegiando estes, pois só assim será possível  planejar um futuro melhor. Os acontecimentos do passado devem “correr como águas caudalosas do tempo, modelando a paisagem do presente. Se não pudermos compreendê-los, teremos falhado com as futuras gerações”[8].

  Dentro desse contexto é que, na Alemanha, foi construído o Museu (memorial) do Holocausto. Alguém há de perguntar o porquê de se construir algo que lembre o maior crime, as maiores atrocidades já presenciadas pelo Ser Humano. Exatamente para que jamais esqueçamos o terrível exemplo e, não o olvidando, nunca mais o homem deixe que se repita. Quando esquecemos os exemplos do passado é muito provável que ocorram de novo, exatamente por não guardarmos seus horrores em nossas memórias. Apagar a história, seja qual forem as razões, é um equívoco incomensurável!..


  Por isso peço aos Deputados Gaúchos: digam não à tentativa espúria de mudar nosso Hino, pois é só a aplicação do método utilizado pela esquerda, na guerra cultural marxista, que está em plena vigência no Brasil, hodiernamente. Não deixem isso acontecer!...  e cantemos a plenos pulmões, pois nosso hino está correto: povo que não tem virtude, acaba por ser escravo!...

   “É impossível falar ao coração, à consciência profunda dos indivíduos que trocaram sua personalidade genuína por um estereótipo grupal ou ideológico. Diga você o que disser, mostre-lhes mesmo as realidades mais óbvias e gritantes, nada os toca. Só enxergam o que querem”. Olavo de Carvalho[9].

  Silvio Miranda Munhoz.

Cronista da Tribuna Diária, Presidente do MP Pró-sociedade e integrante do MCI (Movimento contra a impunidade).  As ideias contidas na crônica representam, única e exclusivamente, o pensamento do autor.



[1] https://www.facebook.com/groups/398589647625248/permalink/880667026084172/

[2]https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwjj0eO8lKPuAhX2IbkGHeh6BG4QFjAAegQIARAC&url=https%3A%2F%2Frevistaforum.com.br%2Fdireitos%2Fdeputado-apresenta-projeto-para-mudar-trecho-considerado-racista-no-hino-do-rio-grande-do-sul%2F&usg=AOvVaw0aqSAX0wd7f5a2T-ENDvd9

[3] Idem nota de rodapé 1.

[4] DIAS, Pe. Cléber Eduardo dos Santos.  In Paulo Freire: educação popular, religião, teologia da libertação de inspiração marxista. Inserto na coletânea organizada por Thomas Giuliano; Desconstruindo Paulo Freire, págs. 207 e 209.

[5] https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&cad=rja&uact=8&ved=2ahUKEwi10-KYmKPuAhVeHrkGHfLVBIwQFjABegQIAhAC&url=https%3A%2F%2Fwww.bbc.com%2Fportuguese%2Fbrasil-50606790&usg=AOvVaw29oWCg-GnKOAXmMP_gmTEJ

[6] https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/672/a-grama-e-verde-ou-vermelha.html

 

[7] https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/397/os-neo-iconoclastas.html

[8] Guimarães, Sileno Cezar. In nota de orelha do livro História Depedrada: Delírios Marxistas Sobre a Inconfidência Mineira de Aarújo, Rogério Silva.

[9]Carvalho, Olavo. In O que você precisa saber para não ser um idiota. Págs.  96/97.