A FRANÇA NO SEU BOLSO

EVOÉ!

Por RÔMULO PAIVA FILHO 21/02/2021 - 01:29 hs



Bom dia, amigos do vinho. Nosso bate papo de hoje é sobre o bolso, sim, o bolso onde guardamos nosso suado dinheirinho, o qual buscamos sempre economizar tendo o máximo de retorno possível. No mundo do vinho prevalece a máxima “Vinho bom custa caro”. Sim, é verdade, muito embora a recíproca não seja verdadeira, pois provar um vinho caro não é garantia de satisfação. No entanto, como sempre repito incansavelmente aqui nos meus artigos, podemos perfeitamente harmonizar um bom vinho com nosso orçamento. Essa “ciência” se desenvolve por meio da prática e, claro, do aprendizado de muitas e muitas regras que vamos absorvendo com o passar do tempo. Eu, pessoalmente, sou um apaixonado pelos vinhos franceses, afinal são milênios de experiência na arte de transformar uva em vinho, sem falar nas incontáveis denominações de origem controlada, terroirs e tradições. Tenho alguns amigos que tem preconceito contra os vinhos da terra de Balzac, alegando que os bons são caríssimos e os acessíveis são ruins. Ledo engano, e a seguir vou dar algumas dicas que certamente os farão mudar de ideia. 


Na lista dos 10 vinhos mais caros do mundo, organizada pelo site Wine Searcher, 8 são franceses, na verdade, da Borgonha. A qualidade e a fama dos vinhos franceses é tamanha que os de três de suas principais regiões vitivinícolas ( Bordeaux, Borgonha e Rhône) sempre estão no topo das listas dos mais caros e com isso acaba se criando na mente dos enófilos a impressão de que para saborear um bom vinho francês é preciso gastar muito.


Em muitos casos, as regras de denominações de origem na França podem fazer com que vinhos de determinadas regiões tenham um patamar de preço bastante alto. Assim, não adianta sonhar com um excelente Bordeaux ou Borgonha por menos de R$50 no Brasil, principalmente considerando os extorsivos impostos que aqui pagamos. No entanto, mesmo que seu orçamento não permita comprar vinhos nessa faixa de preço, você não deve simplesmente abandonar os franceses, pois há muita coisa boa e não necessariamente a preços exorbitantes. Realmente, nessa faixa de preço de R$50, como mencionei, fica mais fácil encontrar vinhos da Península Ibérica, argentinos e chilenos. Para acertar na escolha você deve apostar em denominações menos conhecidas e inflacionadas. No caso da Borgonha, por exemplo,  pode-se optar por Macon, Bouzeron, Irancy, Rully, etc. Além de denominações genéricas mais amplas, mas, nesse caso  é recomendável se atentar ao produtor. Em Bordeaux denominações dentro das regiões de Blaye e Bourg ou Entre-Deux-Mers (vide o artigo “Bordeux, o sonho possível”) também costumam ter bons vinhos com preços bem mais acessíveis que seus pares do Médoc, por exemplo. Uma ótima dica é procurar vinhos com as denominações “Vin de Bordeaux” ou  “Grand Vin de Bordeaux”. Voltando a falar da Borgonha, uma região que deve ser levada em conta quando procuramos por vinhos mais acessíveis é Beaujolais. Não estou falando do Beaujolais Nouveau, mas dos vinhos das denominações dentro da região do Beaujolais, onde os produtores tem se empenhado cada vez mais em fazer vinhos de ótima relação custo-benefício.


Outro ponto a ser levado em conta quando se busca algo de bom valor em regiões clássicas é a safra. Às vezes (nem sempre), safras menos cultuados podem fazer com que os preços de alguns vinhos não sejam tão altos de modo que acaba sendo possível adquirir algumas garrafas. Novamente vale a pena ficar de olho no produtor, lembrando que, os produtores costumam fazer bons vinhos mesmo em safras ruins.


Notem ainda, que a França não se limita a Bordeaux e Borgonha. É preciso ressaltar que há grandes vinhos feitos em regiões como Alsácia e o Val du Loire, vários com preços bem mais acessíveis do que os borgonheses e bordaleses. Isso sem falar em regiões bem menos visadas que estão cada vez mais produzindo rótulos de qualidade, mas menos inflacionados, como Savoie e denominações do sul da França, especialmente dentro do Languedoc-Roussillon. Diversos produtores famosos do Rhône, por exemplo, tem vinhedos nessas regiões, onde produzem linhas muito acessíveis, como o renomado Michel Chapoutier.


A seguir, vou passar algumas ótimas opções, para vocês perderem de vez o preconceito contra o preço dos vinhos franceses:


1. C’est La Vie Pinot Noir Syrah 2016 (Albert Bichot, Languedoc-Roussillon, França), R$ 95 (preço aproximado) na Grand Cru

2. Plaisir d’Eulalie 2014 (Chateau Sainte Eulalie, Minervois, França. Tinto composto por 40% Carignan, 30% Grenache e 30% Syrah, no Club du Taste Vin, R$ 87,00 (preço aproximado)

3. La Vieille Ferme Rouge 2013 (Perrin et fils, Rhône, França). Tinto elaborado a partir de Carignan, Cinsault, Grenache e Syrah, na World Wine a R$89,00 (preço aproximado).

4. Premier Rendez-Vous Cabernet Merlot 2016 (LGI Wines, Languedoc-Roussillon, França). Tinto composto a partir de Cabernet Sauvignom e Merlot em partes iguais. Na World Wine a R$ 72,00 (preço aproximado)

5. Domaine Galaman Rouge 2013 (La Negly, Languedoc-Roussillon, França). Tinto composto por Grenache, Carignan e Syrah, cultivadas em Fitou. Na Grand Cru a R$ 95,00 (preço aproximado)

Bem amigos, vou ficando por aqui e fazendo votos que a França esteja cada vez mais presente nas adegas de vocês. Um bom domingo a todos e até semana que vem, se Deus e Baco assim o permitirem.


EVOÉ!