A DURA TAREFA DE ACREDITAR

significa também aceitar um grau de maldade que é por demais incômodo para uma pessoa de boa índole.

Por Eduardo Vieira 14/03/2021 - 18:14 hs

Estamos completando o primeiro ano da ação mais terrível da história da Humanidade. Pela primeira vez um vírus foi talvez criado e certamente espalhado propositalmente para fazer o que milhares de soldados não seriam capazes. Colocar o Ocidente de joelhos. Tal cenário é tão desconfortável, tão hediondo que nosso primeiro impulso é rejeitá-lo da mesma forma que se desvia o olhar de um ferimento terrível.

Nossa mente entorpecida pelo conforto e pelas banalidades da vida moderna tornou-se incapaz de encarar um problema grave e real de frente. E a coisa torna-se ainda pior quando este problema ameaça diretamente nosso conforto.

Pois creiam, o que está causando o pior dessa situação não é a virulência do vírus chinês mas a incapacidade dos povos de acreditar na realidade que se apresenta diante dos seus olhos. Fingir que acreditamos na ladainha midiática é extremamente confortável, especialmente para quem tem reserva para se sustentar ou vive de dinheiro público. Pois romper o véu esfarrapado que nos é apresentado significaria ter que tomar uma atitude. E tomar atitudes significa no mínimo ir às ruas alguns dias no mês. Esse sacrifício é grande demais para o nosso povo.

Acreditar na realidade significa também aceitar um grau de maldade que é por demais incômodo para uma pessoa de boa índole. O que dizer de jornalistas que chamam o presidente de genocida, carimbando sua própria canalhice e subscrevendo sua estupidez? E como classificar aqueles que tomam os remédios do tratamento precoce e escondem esse fato até que sejam descobertos? E outros que tomam e fazem campanha contra? Mas eles existem e estão no meio de nós, por mais que seja doloroso enxergar. Sempre existiram, aliás.

É preciso enxergar o que prevenimos há anos: a tolerância e carinho do esquerdista acabou quando a direita colocou um dedo no poder. É simples, de fato. E é recorrente. A esquerda sempre prega a tolerância quando está no poder. Se sair o discurso imediatamente torna-se verdadeiro em sua maldade e imoralidade. Vertem-se os vasos da malícia, da mentira, da crueldade. Abrem-se as comportas da raiva, da perversão e do sacrilégio.

É preciso, portanto, abrir os olhos e acreditar.

Creiam que todos os governadores e prefeitos que estão impingindo medidas draconianas aos habitantes sob sua jurisdição são principalmente maliciosos, jogando um jogo de psicopatas no qual matar é perfeitamente aceitável desde que o objetivo político seja alcançado.

A ciência segue trabalhando para o bem e para o mal, sendo como sempre uma ferramenta desprovida de moral intrínseca. Daí, observa-se agora claramente, a necessidade vital de uma instância superior e transcendental à qual todos se submetam. Estamos começando a enxergar o significado de poder tecno-científico em mãos materialistas e amorais. É uma lição preciosa que deixa o liberal que detesta religião acima de tudo com o traseiro descoberto. A maioria não vai se importar.

Para o mal trabalham cientistas vendidos ao poder do dinheiro e da influência política, assinando sentenças de morte com brindes dourados de empresas farmacêuticas. Do lado do bem a coisa ocorre de forma bem diferente.

Cito como exemplo um estudo que está em pré-impressão, realizado por pesquisadores da UFPE e da Santa Casa da Misericórdia de Porto Alegre. Seu título é : "Ordens para ficar em casa estão associadas com o surgimento de variantes do Sars-Cov-2". Autores: Ricardo Ariel Zimerman e Bruno Campello de Souza. 

O que os pesquisadores observaram neste estudo? Compilando dados de telefonia celular que geraram o índice de isolamento social, que quantifica o percentual de pessoas que permanceram à uma distância inferior a 450 metros de suas residências, mais de 700 pessoas foram observadas. O resultado é impressionante e corroborado em parte por outro estudo realizado na Coréia do Sul. Há uma correlação entre o nível de isolamento acima de 40% e o surgimento das variantes do vírus chinês. Além disso os autores citam que há ampla evidência de relação entre isolamento e aumento do número de mortes.

Ou seja, o lockdown é duplamente prejudicial. Estimula o surgimento de mutações mais perigosas e ainda aumenta o número de mortes. O texto resumido do estudo está no fim deste artigo. (1)


É preciso acreditar que os governantes e seus assessores tenham acesso a este tipo de informação. Para quem duvida do nível de maldade envolvido eu posso citar outro caso, de contornos sulfurosos e tentáculos que chegam ou saem de Brasília. Refiro-me ao famigerado estudo de Manaus onde foi aplicada dose de cloroquina (não a mais moderna e mais suave hidroxicloroquina) até cinco vezes maior do que o recomendado para tratamento do vírus chinês. Essa hiper dosagem é perigosa e tóxica para uma pessoa saudável mas para um idoso debilitado é fatal. E de fato foi. Onze idosos faleceram. O estudo foi realizado por um grupo de cientistas e entidades mas destaco Marcus Vinicius Guimarães Lacerda, da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (2). Um aspecto intrigante desse estudo está no seu financiamento, com verbas públicas fornecidas por um grupo de senadores brasileiros cuja composição não aparece nos documentos. Este estudo, após ser interrompido por conta das mortes, foi extensivamente publicado e referido pela mídia mundial, como exemplo de um risco que de fato só existe com hiperdosagem do medicamento. Foi um dos argumentos mais importantes para minimizar as vozes daqueles que defendem o tratamento precoce. Não seria seguro para mim julgar as intenções dos organizadores de tal estudo, especialmente nos dias atuais que vivemos no Brasil. Deixo tal elucubração por conta do leitor.

É preciso acreditar na hipótese de malícia e interesses diversos aos da ciência.

É tudo muito feio e desagradável, eu bem sei. Mas nossa insistência em negar a realidade dá aos psicopatas fôlego para dobrar suas apostas malignas, como bem nos mostrou esta semana o governador do RS, que achou por bem definir que produtos podem ser comprados por um cliente num supermercado. Tal afronta à liberdade e à ordem deve ser encarada não como um ridículo arroubo totalitário de um político mequetrefe mas sim como uma extraordinária agressão ao estado de direito e ao povo rio grandense. É preciso acreditar, levar a sério e agir em protesto contra esses tiranetes covardes, incompetentes e maliciosos.

Não podemos mais nos dar ao luxo de ignorar a realidade sob pena de perdermos o que resta de nossa liberdade.

Que Deus nos dê forças e confunda nossos inimigos.


colunista EDUARDO VIEIRA para o Tribuna Diária


(2) - Link para o "estudo" de Manaus - https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.04.07.20056424v2


(1)ABSTRACT

Background: While public health strategies to contain the current coronavirus disease-19

(COVID-19) pandemic are primarily focused on social distancing and isolation, emerging

evidence suggest that in some regions social isolation failed to lead to further decrease in the

number of COVID-19 deaths in the long run. This apparent paradox was particularly observed in

the northern region of Brazil, in the state of Amazonas. We hypothesized that the emergence of

new Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2 (SARS-CoV-2) mutations, leading to

more transmissible and pathogenic variants, could explain the lack of further reductions in

COVID-19 new cases and related deaths in some regions. Our objective is to determine if social

isolation is associated with the emergence of new SARS-CoV-2 variants, particularly the P.1

lineage and E484K mutants, in Brazil and in the state of Amazonas.

Materials and methods: We assessed the prevailing SARS-CoV-2 genomes present in Brazil

available on the GISAID database collected between June 1st, 2020 and January 31st, 2021.

Demographic data, lineage and prevalence of P.1 lineage and E484K mutations were obtained.

Social isolation was measured using the Social Isolation Index (SII), which quantifies the

percentage of individuals that stayed within a distance of 450 meters from their homes on a given

day, between February 1st, 2020 and January 24st, 2021. The number of daily COVID-19 deaths

was obtained from the Brazilian Ministry of Health (OpenDataSUS, 2021), between March 12st

,

2020 and January 10th, 2021. SII was correlated with the prevalence P.1 lineage and E484K

mutations in the eight following weeks. All univariate associations were estimated using the

Spearman Correlation Index. 3D surfaces were employed to reflect the relationship between

time, social isolation, and prevalence of genomic variants simultaneously.

Results: A total of 773 and 77 samples were obtained in Brazil and in the Amazonas state,

respectively. In the state of Amazonas, SII on a given week was positive-, significant-, and

moderate or strongly (r > 0.6) correlated with the prevalence of both P.1 lineage and other E484K

variants in the six following weeks after the SII on a given week. Conversely, in overall Brazil

correlations between SII and P.1 lineage and E484K variants were weaker and shorter, or negative,

respectively. When SII was below 40%, P.1 lineage or E484K variants were not detected in the 

3

following weeks. When SII was above 40%, apparently exponential positive correlations between

SII and prevalence of both P.1 lineage and E484K variants were observed.

Conclusion: The results of this study indicate that SII above 40% is associated with the emergence

of SARS-CoV-2 E484K variants and P.1 lineage in the State of the Amazon, which was not

observed in overall Brazil.