PANDEMIA DE FALTA DE CARÁTER

Não se deixem enganar por sofismas, mentiras e notícias deturpadas de pessoas interessadas na retomada do poder

Por Cesar D. Mariano 17/03/2021 - 12:44 hs

Estamos em meio à maior crise sanitária do país e, quiçá, do mundo, sem nenhuma previsão de quando irá acabar.

A crise não é restrita ao Brasil e à América do Sul, é mundial.

No entanto, igual ou talvez pior do que a pandemia, é o fato de pessoas, notadamente políticos e outros interessados na retomada do poder, usarem a morte de centenas de milhares de pessoas para a obtenção de vantagens de todas as ordens, mormente eleitorais.

Claro que as pessoas mais bem esclarecidas, sem viés ideológico e sem nenhum interesse, conseguem enxergar o que estou a dizer.

Aquele sistema corrupto, que apenas estava recuado, escondido nas trevas, quer voltar. A torneira secou e o dinheiro fácil, ilícito ou imoral, mesmo que travestido de legal, faz falta para pessoas físicas e, principalmente, jurídicas, que sempre dependeram dele.

Por isso, a desinformação vomitada pela velha e grande mídia, talvez o setor que mais perdeu com o fechamento das torneiras do dinheiro público.

Há, ainda, jornalistas sérios, que noticiam os fatos como eles realmente ocorrem e não se utilizam de sofismas para enganar a população, digamos, mais simples.

Como já disse, o aumento de contágio da Covid-19 é um problema mundial, do mesmo modo que a imunização, que é lenta. 

O percentual de imunizados não difere em quase todos os países, com exceção daqueles que têm em seu território os laboratórios responsáveis pela fabricação das vacinas. Se pegarmos por milhões de habitantes, o Brasil só perde em vacinação para os países que produzem vacina: EUA, China, Rússia, Índia e Inglaterra. Os dados estão na Rede, basta pesquisar.

Usam para ludibriar os incautos percentuais de vacinados em países cuja população é significativamente menor do que a do Brasil, como Portugal, Chile, Espanha e Israel.

O grande problema enfrentado na atualidade são os insumos, que praticamente só são produzidos na China.

São bilhões de pessoas que precisam ser vacinadas e a corrida por insumos é enorme.

No Brasil, a situação é igual a quase todos os países do mundo, com a agravante de que possuímos uma das maiores população e território.

Portanto, o que deveria ter sido feito e houve tempo mais do que suficiente para isso, seria o aparelhamento dos hospitais e criação de mais vagas para receber os pacientes, que certamente aumentariam.

Não é preciso ser nenhum gênio para saber que assim que a situação voltasse quase ao normal haveria o aumento da contaminação, uma vez que a interação social seria maior. Isso ocorreu na Europa e deveria ter servido de aviso para nossos governantes, notadamente os governadores, que foram designados judicialmente como os responsáveis diretos pela contenção da crise da pandemia.

Entretanto, os bilhões de reais repassados para os Estados evaporaram e a infraestrutura hospitalar piorou ou se manteve igual, levando-nos a perquirir o que foi feito com todo aquele dinheiro.

Algo de muito errado aconteceu, que está a ser investigado pelo Ministério Público Federal. A verdade irá aparecer e os culpados, se houver, devem ser exemplarmente punidos com todo rigor da legislação penal e civil (improbidade administrativa).

O alento para tudo isso é que milhões de doses da vacina da Fiocruz serão produzidas, cuja quantidade tenderá a aumentar, a depender da chegada de novos insumos. Seremos autossuficientes e até poderemos exportar ou mesmo doar vacinas para os países mais pobres em pouquíssimo tempo.

Qual a atitude correta a adotar? Não sei e acredito que ninguém saiba ao certo, pois, se alguém soubesse, não estaríamos nesta situação em escala mundial.

O mundo já passou por situações parecidas, até mesmo piores, e ainda estamos aqui.

O que toda população espera é que os agentes políticos responsáveis pela contenção da crise ajam com responsabilidade e serenidade e deixem de pensar em ganhos políticos, que certamente virão para os que atuam corretamente.


Não se deixem enganar por sofismas, mentiras e notícias deturpadas de pessoas interessadas na retomada do poder e no retorno do sistema corrupto, que quase quebrou o Brasil.

 CESAR D. MARIANO PARA O TRIBUNA DIÁRIA