O MECANISMO

o mecanismo corrupto, que está impregnado no Brasil

Por Cesar D. Mariano 24/03/2021 - 19:49 hs

Há momentos em que temos vontade de largar tudo e dizer: dane-se.

Verdade. Já tive vontade de fazê-lo em diversos momentos.

Já pensei em me aposentar e até mesmo morar fora do Brasil. Isso até pode ocorrer, mas por outros motivos.

Todavia, o que me faz não esmorecer é saber que é exatamente isso que o sistema, o mecanismo corrupto, que está impregnado no Brasil, quer.

Todos os dias ele está à nossa volta. Basta ler e assistir alguns jornais. Ele está lá, travestido e escondido. Nas sombras. A esperar o momento de dar o bote e retomar o poder.

Pensamos que o mecanismo tivesse morrido com a ação da Lava-jato. Mas não. Ele apenas foi ferido e retrocedeu. Ele é forte e está em todos os locais. O que ele mais queria era uma brecha, um acontecimento, algo relevante que impactasse o Brasil para poder retornar e com toda força.

A pandemia foi o que o mecanismo mais queria. Deu-lhe força e o momento propício que tanto aguardava para mostrar sua cara e dentes. Os atores são conhecidos de todos. Sequer há necessidade de nomeá-los. E eles possuem amigos influentes e colaboradores. Além deles, um exército de interessados, desavisados, influenciados e fanáticos cegos, que ainda ostentam a bandeira vermelha, que tanto sangue fez correr no mundo.

Durante a crise da pandemia, aproveitando-se do fato de a população estar em casa, acuada, com medo, tudo regado a obituário televisivo, começou o velório da Lava-jato, que está na iminência de ser enterrada.

Todo aquele esforço realizado, toda a torcida para que o Brasil deixasse de ser o país da corrupção, da impunidade, está a virar pó.

Bandidos passam a ser os mocinhos e os mocinhos estão prestes a ser levados ao cadafalso. Isso mesmo. Algo que era previsto porque estamos no Brasil. Já vimos isso na Itália, na década de 90. Lá, não foi muito diferente. E porque poderia deixar de sê-lo no país do ganho fácil, do jeitinho brasileiro, da impunidade, da corrupção, e de um povo que a tudo aceita com resignação?

Acusa-se de parcialidade um magistrado e membros do Ministério Público com base em atos processuais mantidos por três desembargadores e cinco ministros do Superior Tribunal de Justiça. E eles, também são suspeitos? Os Dignos Magistrados do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, mantiveram os atos processuais, tendo-os como hígidos.

Emprega-se, mesmo que forma dissimulada, mensagens criminosamente obtidas e não autenticadas para justificar a alteração de posicionamento e votar de forma diferente, mudando o rumo do julgamento. Ou será que os motivos são outros? Ao que me consta, os fatos são os mesmos. As provas não mudaram. Nada foi alterado. A não ser essas mensagens criminosamente encomendadas e difundidas pelo Brasil a conta-gotas para macular os julgamentos. Ganha-se no tapetão. As provas estão lá e não vão mudar. Elas apontam para a culpa dos réus de forma arrasadora e acima de qualquer dúvida razoável.

A ideia, para quem conhece o sistema e sabe como ele age, sempre foi obter alguma nulidade no último minuto do segundo tempo, justamente na 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, onde a maioria dos ministros, senão todos, é ultragarantista, o que faz com que procurem pelo em ovo a fim de declarar a nulidade de atos processuais, mesmo que mantidos pelas demais instâncias. Daí, a prescrição seria praticamente certa em razão do decurso do tempo e da idade de vários dos condenados, cujo prazo prescricional é reduzido da metade.

Enfim, quem ama o Brasil não pode se entregar ao desânimo. Ou acreditamos em dias melhores ou o mecanismo corrupto vencerá e tomará de assalto nossa pátria e o futuro das gerações vindouras.

O Brasil precisa dos patriotas, dos honestos, dos decentes, dos crentes em Deus, independentemente da religião. O mal não pode prosperar.

Que Deus proteja o Brasil e os brasileiros.


 CESAR D. MARIANO PARA O TRIBUNA DIÁRIA