HUMOR E CULTURA

Quem ri ganha uma nova dimensão na vida. Isso ninguém pode negar.

Por Eduardo Vieira 04/04/2021 - 19:13 hs


Nessa vida algum humor é tão essencial quanto a água que bebemos, para quem bebe isso. O humor nos retira do pedestal da sapiência e nos joga na taverna onde o desdentado beberrão nos premia com a mais escandalosa gargalhada. É preciso rir.


Não é à tôa que o riso é característica exclusivamente humana. É preciso ter o raciocínio abstrato, a capacidade de enxergar o ridículo, a habilidade para identificar padrões para tanto fazer quanto aproveitar uma piada. 


E esta nem precisa ser boa para ser engraçada. Realmente tem piadas tão ruins que chegam a ser boas.


A incapacidade para se aproveitar de piadas, a inexistência de humor deriva, na minha experiência, da concretitude. Do excesso de materialismo, da escravização à lógica apenas, da robotização do pensamento.


Chutem os poetas como malucos desprezíveis. Riam dos que se emocionam com uma risada de criança. Caçoem maldosamente daqueles que enxergam formas variadas nas nuvens no céu.  Valorizem apenas o dinheiro, apenas o trabalho. Vivam para ostentar. Ignorem o Belo e escolham o funcional sempre. E assim estarão no caminho da falta de humor. Olha, falei do Belo como beleza genérica. O cantor podem ignorar mesmo. Aliás, é dever de todos nós fazer isso.



Dizem que rir é o melhor remédio. É a mais pura verdade, se não levada ao extremo. Não adianta ficar rindo quando o pavio da dinamite está quase no fim. É melhor apagar o desgraçado, ria depois. Mas quem ri ganha uma nova dimensão na vida. Isso ninguém pode negar. Não é por nada que os mais gordinhos costumam ter mais sucesso no mundo da comédia.


Portanto vamos rir, especialmente de nós mesmos. Vamos também arriscar piadas sem graça. Nunca se sabe quando se acerta uma.


Eu mesmo outro dia estava jogando um joguinho porreta de guerra de tanques. No meu time estava uma figura com nome de Ciclopentano. Ele mandou bem estourou um inimigo ao meu lado. Seguimos adiante e eu mandei:


"Vai, FENOL!"


Ele parou, escreveu uma gargalhada, tomou um tiro e morreu mas segundo ele, morreu feliz.


Rir é vital. Ria muito. Deus nos mandou a esse vale de lágrimas para garimparmos algumas pérolas. O riso é uma delas.


colunista EDUARDO VIEIRA para o Tribuna Diária