SÓ TRIUNFARÁ O DE SINCERO CORAÇÃO

eu enxergo e acredito que o futuro da humanidade será garantido e resguardado através das virtuosas mãos de nobres juristas.

Por JOÃO DANIEL 06/04/2021 - 20:31 hs

 

Preclaros, boa noite.

Estou, neste momento, escutando um hino. E, parte do coro me trouxe excelente reflexão. O excerto da melodia diz o seguinte: “só triunfará o de sincero coração”. Fez-me recordar de uma crônica antiga, que remete ao medievo, onde é narrada a lenda do Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda. Em síntese, os doze cavaleiros empreenderam a busca pelo santo Graal, o Cálice usado por Jesus Cristo na última páscoa em que celebrou junto aos Santos Apóstolos. Somente os puros de coração poderiam ver o Cálix!

 

No seio dessas divagações e inquietações, ponho-me à indagação silenciosa e interna: no meio jurídico brasileiro, no Império do Direito, nas guarnições da Justiça, quem triunfará? E, a contemplar as estruturas da República, imperiosa diante do passar dos séculos, representada e cravada no verde e amarelo do pavilhão que se ergue sob a proteção de Deus, sob o Cruzeiro do Sul, sob o grito do Ipiranga, surge perturbadora perscrutação: poderia haver esperança para este povo que se deita, eternamente, em berço esplêndido?

 

O ano era 63 antes de Cristo, e o cônsul romano Marco Túlio Cícero fazia bradar, em Roma, as Catilinárias. Um discurso forte e contumaz, por meio do qual era denunciado o senador Lúcio Sérgio Catilina, um dos maiores conspiradores contra a República Romana. “Quosque tandem, Catilina, abutere nostra patientia?”[1] (Até quando, enfim, ó Catilina, abusarás da nossa paciência?).

 

E segue o cônsul romano em seu contundente sermão: “Nunc iam petis aperte universam Rempublicam; vocas ad exitium et ad vastitatem templa deorum immortalium, tecta urbis, vitam omnium civium, denique Italiam totam.”[2] (Agora já atacas abertamente toda a República; chamas para o extermínio e para a devastação os templos dos deuses imortais, as casas da cidade, a vida de todos os cidadãos, enfim, a Itália inteira).

Certamente, Marco Túlio Cícero era um homem de sincero e puro coração, bem como os cavaleiros da Távola Redonda, como também muitos juristas da atualidade, verdadeiros cavaleiros templários, empreendedores de valorosas batalhas na seara do Direito, na luta pela verdade, pela liberdade e pela sociedade.

 

O que dizer de Promotores de Justiça, Defensores Públicos e Magistrados, Procuradores de Justiça, Procuradores da República e Professores Universitários, Advogados e Acadêmicos do Direito que, diuturnamente, com pureza de coração, altivez, espírito de justiça e muita coragem, ombreiam nas trincheiras desta batalha que, mesmo com muitas baixas, resplandece sinais de vitória? Triunfarão!

 

E de cá, do meu turno, posso dizer, satisfatoriamente, que sou um entusiasta do Direito! Sou apaixonado pelo Direito! E não irei desistir do Direito!

 

No medievo, os nobres reuniam-se em confrarias e festas de gala, onde ostentavam títulos de nobreza, no seio daqueles que juravam possuir sangue azul. Hoje, infelizmente a maioria das monarquias gloriosas do passado já não existem mais. Contudo, eu gosto de comparar os títulos jurídicos, digamos assim, com aqueles da realeza. Faço isso não por luxo, fantasia ou preciosismo. Mas porque eu enxergo e acredito que o futuro da humanidade será garantido e resguardado através das virtuosas mãos de nobres juristas! Só triunfará o de sincero coração!

 

E é com esse pequeno texto, terminado por volta de meia noite e quarenta (conscientemente o horário em que nasci há quase 23 anos atrás), que inauguro a minha coluna no festejado jornal eletrônico Tribuna Diária.


Agradeço ao querido Sileno Guimarães pelo convite, ao honrado mestre e amigo Silvio Munhoz por ter me trazido aqui e me apresentado.

Mormente, agradeço a cada um de vocês, caros leitores, pela honra de dedicarem alguns minutos lendo essas linhas escritas com tanto carinho. Só triunfará o de sincero coração!

 JOÃO DANIEL para o Tribuna Diária


[1]
As Catilinárias – Cícero. Editora Martins Claret. 2014, p. 30.

[2] As Catilinárias – Cícero. Editora Martins Claret. 2014, p. 45.