PIZZA DE BOI DE PIRANHA

Se continuarmos assim, a democracia e o Brasil não sobreviverão à pizzaria brasiliense.

Por DIOGO FORJAZ 11/04/2021 - 14:20 hs

A expressão “boi de piranha” sempre se enquadrou muito bem na história política do Brasil, e de certa forma, foi o fermento da massa de todas as pizzas políticas do país. O dito “mensalão”, vulgo CPI da “COMPRA DE VOTOS”, ou ditadura da propina é um ótimo exemplo, embora existam muitos outros. Veja, uma estrutura de fluxo de desvio de dinheiro público foi criada para abastecer partidos políticos e seus representantes eleitos para garantir que obedeceriam o executivo federal, (Lula). O objetivo da corrupção sistêmica é garantir poder absoluto ao presidente, o que o tornaria imediatamente o principal responsável, já que é o maior beneficiado, e consequentemente traidor da pátria por subverter a democracia comprando o seu voto com o seu dinheiro. Entretanto, ao disfarçar a ditadura como roubalheira mensal (mensalão) e “punir” membros importantes do partido do então presidente (PT) como boi de piranha, esvaziou-se a pressão da opinião pública rapidamente com uma falsa sensação de justiça contra uma ilusão de crime de roubo, quando na verdade, o crime foi de traição. Nem o crime nem o traidor máximo sequer foram “indiciados”. 


Dos 26 condenados pelo mensalão apenas um estava preso até março do ano passado, o empresário Marcos Valério (condenado a 40 anos e 4 meses), operador financeiro do esquema. Significa que além do ditador da propina não ter sido nem indiciado, seus braços políticos responsáveis por construir e dirigir a estrutura, como José Dirceu (10 anos e 10 meses de condenação), José Genoino (6 anos e 11 meses), Delúbio Soares (8 anos e 11 meses) entre outros ficaram impunes. Lula permaneceu no debate público e foi reeleito, elegeu e reelegeu Dilma, comandou o petrolão, foi condenado pela lava jato e agora está livre para ser candidato novamente. Dirceu comanda as articulações e ações da esquerda até hoje, tem aparecido na mídia como crítico do governo, e fala sem qualquer consequência em: “tomar o poder, que é diferente de ganhar eleição”.


Resumo, os políticos ficaram livres e atuantes em pouquíssimo tempo, participando inclusive de novos crimes e conchavos. Embora sejam os mentores e diretores do esquema, as penas dos políticos giraram em torno de 10 anos, enquanto a dos empresários em torno de 20 anos, e o operador, o cara que apenas faz o meio campo, o “ferramenta”, pegou 40 anos (Marcos Valério). Até os empresários e banqueiros agora estão em casa.


Como isso foi possível? Como essa pizza de Itu foi assada?

Simples caro leitor, “Boi de piranha” e narrativas de esvaziamento da compreensão e pressão  popular a partir deles, os bois de piranha. Sacrificaram alguns por pouco tempo, esconderam os verdadeiros figurões e seus propósitos, venderam a sensação de justiça e praticaram a injustiça a partir do esquecimento, o tempo de forno.


Este é exatamente o plano agora, impeachment de 1 “ministro de piranha” ou 2, um “governador de piranha” ou 2, a falsa sensação de justiça e o tempo de forno do esquecimento e teremos outra gloriosa pizza. A boiada salva no processo vai manipular o ambiente, as urnas se preciso for e correremos o risco de uma nova dinâmica das tesouras. Voltaríamos ao jogo das cartas marcadas.


Desta vez, a democracia e o Brasil não sobreviverão à pizzaria brasiliense. Precisamos fazer valer lei sobre todos, restabelecer a ordem mínima para termos como praticar outra vez nosso esboço de democracia.