PADRÕES

A criminalidade durante a pandemia

Por FABIO COSTA PEREIRA 04/05/2021 - 19:54 hs

Tenho acompanhado, por conta de minha atividade profissional e curiosidade intelectual, o comportamento da criminalidade no último ano, nomeadamente as taxas que espelham a sua expressão concreta na vida de cada um de nós.


Adverti, desde que a pandemia começou, que os padrões de criminalidade, por conta da mudança de hábitos das vítimas igualmente iriam mudar e a estes se adaptar.


De outro lado, era mais do que previsível que outros crimes, no curso do isolamento, ganhassem impulso e  alguns decaíssem em termos numéricos.


E foi, atendendo às predições, o que efetivamente ocorreu. 


Se de um lado, no período,  crimes como o roubo, o latrocínio e o homicídio decorrentes das disputas entre organizações criminosas mantiveram-se queda (sazonalmente aumentaram), outros ganharam assustador impulso, a formar uma endemia criminosa dentro da pandemia.


Como as pessoas se entrincheiraram em suas casas buscando evitar a contaminação pelo coronavírus, o contato intrafamiliar constante, agravado pelo aumento do consumo de álcool, predispôs que os crimes vinculados à violência doméstica dessem um salto quântico.


O ficar em casa, na hipótese, não correspondeu à segurança efetiva, e sim à exposição à violência por parte daqueles que, saudavelmente, não sabem conviver em família.


Além disso, como o trabalho remoto tornou-se quase que obrigatório, o exponencial aumento do número de usuários a frágeis redes de internet, abriu inúmeras oportunidades aos Black Hats (Crackers) de plantão.


Os “deliverys” criminosos de drogas, por igual, ganharam força no curso do ano pandêmico. 


Dessa forma, diferente do que afirmam muitos “especialistas de segurança pública”, o crime, como um todo, não diminuiu, apenas se adaptou à pandemia e migrou para outras áreas.


Como eu disse, era o esperado.


Ao terminar a pandemia, não querendo ser o arauto do Apocalipse, com o aumento da oferta de possíveis vítimas nas ruas, é previsível que os crimes violentos encontrem novo crescimento.


Estejamos preparados.


E que Deus tenha piedade de nós!


 FÁBIO COSTA PEREIRA para o Tribuna Diária