DISTORCENDO AS PALAVRAS.

Sobre os verdadeiros reféns do crime

Por SILVIO MUNHOZ 13/05/2021 - 21:09 hs

DISTORCENDO AS PALAVRAS.

Manipular: 1. Alterar de acordo com os próprios interesses;

FALSIFICAR; ADULTERARmanipular resultados de pesquisas. 2. Controlar ou influenciar indevidamente, segundo os próprios interesses:

 manipular pessoas/informação/a opinião pública.

                                      Aulete digital.

 

            Hoje não é segredo para ninguém que esteja, ao menos, com um olho aberto, o fato de estarmos no meio de uma guerra cultural, e a esquerda utiliza, diuturna e incessantemente, poderosa arma, talvez, uma das mais efetivas, nesse entrechoque, a manipulação semântica, a utilização corriqueira decorre da simplicidade e eficácia, basta mudar o sentido das palavras para que expressem o sentimento favorável ao desejo do manipulador.

            Vamos aos exemplos, qual o significado real de chacina: “ação de matar várias pessoas ao mesmo tempo, uma forma de assassinato cruel e brutal, caracterizado também como um massacre”.[1]

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            Ocorreu, recentemente, uma chacina no Brasil? Sem sombra de dúvidas. Segundo informações da polícia civil, na manhã de 4 de maio, o assassino - cujo perfil no instagram retirado pouco tempo após o evento o identificava com a foto do bandido e falso ídolo ‘che guevara’ - munido de um facão, no centro da cidade de Saudades/SC adentrou no recinto da creche “Pró-infância Aquarela” e atacou Professoras e crianças indefesas, matando 02 professoras, 03 crianças e deixando outros feridos.

            Isso é um verdadeiro massacre que pode ser caracterizado como chacina, cuja etimologia remonta, inclusive, ao ato de “abater e de esquartejar um bovino ou suíno”, ou seja, alguém superior em força e armamento tira a vida de inúmeras pessoas indefesas.


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            Fato chocante, que emocionou a população brasileira, mas, mesmo assim, pouco ou nenhum destaque ganhou de nossa ex-imprensa, que sabidamente hoje é engajada à esquerda na guerra que vivenciamos. Talvez por o armamento usado ser um facão e não uma arma de fogo. Fosse o instrumento um revólver e a gritaria seria geral na eterna pregação “desarmamentista”, como acontece quando ocorrem casos similares nos EUA. Só que na contínua “manipulação”, como arma do jogo, nunca contam que esses ataques de loucura acontecem, quase sempre, em locais que só tem pessoas indefesas, não ocorrem, p. ex., num clube de tiro, num batalhão da polícia etc. e nem cogitam o aspecto de que na existência de um guarda armado, ou de uma das professoras possuir uma arma, o massacre poderia ser evitado. Jamais admitirão isso.


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   Ficaram o sentimento e as lágrimas do povo brasileiro pelas vítimas dessa verdadeira chacina que manchou de vermelho o solo da pacata cidade de Saudades/SC.

            Vamos a outro exemplo, qual o verdadeiro significado de confronto: “3. Oposição hostil, agressiva; COMBATEconfronto entre policiais e traficantes. 4. Choque belicoso entre pessoas; briga, luta, combate[2].

 

            Ops, aqui a coisa fica mais interessante, pois temos um entrechoque entre iguais ou parecidos e não um massacre contra pessoas indefesas!..

         Ocorreu, igualmente, recente confronto no Brasil na favela de Jacarezinho no Rio de Janeiro, na oportunidade a Polícia Civil, cumprindo ordem judicial que determina o cumprimento de mandados de prisão no local, em decorrência dos inúmeros crimes praticados pelo Comando Vermelho, Organização Criminosa que comanda a área com mão de ferro. Dentre os crimes o aliciamento de menores para trabalhar no tráfico, inúmeros homicídios – pelos mais variados motivos: não pagar; delatar; não querer entregar a casa para o tráfico; briga entre facções etc -, estupros e muitos outros.

            Além disso, os moradores honestos e trabalhadores, não pertencentes ao bando, são verdadeiros reféns, utilizados como escudo humano, sujeitos a cumprir toda e qualquer ordem, como toque de recolher ou entregar uma filha adolescente para o traficante, sob pena de ser julgado e condenado, até mesmo à morte, nos tribunais do crime (nestes não há presunção de inocência, nem vigora o ‘garantismo penal’), sem qualquer respeito à lei ou a qualquer princípio ético ou moral.

            Pasmem, na tentativa de cumprir a ordem judicial, a polícia montou uma operação – comunicando-a ao Ministério Público, como exigiu o STF na usurpação da função de gerenciar a segurança pública do Estado – e ao chegar no local foi recepcionada com barricadas  ‘trilhos de trem concretados no asfalto’, e inúmeros marginais armados com fuzis (arma de exclusivo uso das Forças Armadas e de Segurança, cujo porte caracteriza crime hediondo) e ocorreu o óbvio na situação, uma verdadeira guerra. O confronto deixou 27 mortos, 26 bandidos todos com antecedentes criminais segundo as notícias e um policial abatido no exercício do dever.

            Esse entrechoque foi igual? Não. Foi assimétrico, muito pela interferência do STF através da ADPF 635 (Ação de descumprimento de preceito fundamental), que desde meados do ano passado proibiu o uso de helicópteros nas operações policiais (sem a aeronave os marginais tem a vantagem do conhecimento do local e o terreno favorável, em aclive e com inúmeros pontos de tiro elevado para atingir os adversários e de esconderijos) e, mesmo sem nenhuma lei prevendo, na atual legislação brasileira, proibiu a realização de operações na favela durante a pandemia.

            Tal medida permitiu às Organizações Criminosas respirar, pois vinha sofrendo reveses há mais ou menos 02 anos com inúmeras apreensões dos entorpecentes, que as descapitaliza; de  armamento – nos primeiros 10 meses de 2019, só na cidade do Rio foram apreendidas 7.215 armas, das quais 468 fuzis -, ou seja, a folga concedida pela ‘corte suprema’ permitiu-lhes se rearmar, recapitalizar, reorganizar para bem recepcionar a Polícia.

            Além da normal assimetria já existente de a Polícia ser obrigada a cumprir, fielmente, a lei brasileira, enquanto os marginais só seguem a própria lei, a da sua quadrilha.


Jacarezinho: antes de operação, 2 dos mortos apareceram com fuzis em fotos  e vídeo

          

  Percebam, quando a nossa ex-imprensa (a mesma que sustenta que fuzis podem ser confundidos com guarda-chuvas ou furadeiras e acha ilegítima a atuação quando não morre nenhum ou morrem poucos policiais) chama o confronto de Jacarezinho de chacina está tentando manipular a audiência para ver se a contamina com o seu relativismo moral, cuja tacanha visão só permite enxergar o “direitos dos manos” nunca o da sociedade honesta, trabalhadora e ordeira, tentando fazer o público ficar com ‘peninha’ dos bandidos e ‘raiva’ da polícia,.

            Sempre que tentarem esse estratagema, lembre o fato de a atuação policial, por ser decorrência da lei, no caso em exame cumprindo determinação judicial, possuir presunção de legitimidade, pois o policial age sempre em estrito cumprimento do dever legal e, em caso de confronto armado, em legítima defesa própria e de terceiros. Tal presunção acompanha todo o decurso do ato e só pode ser afastada com conclusiva prova demonstrando ocorrência de algum excesso, inexistente no caso em análise.



          

  Finalizo, homenageando o guerreiro - André Leonardo de Mello Frias, que deixou viúva, um filho pequeno e uma mãe que sofreu AVC e de quem cuidava – abatido no campo de combate protegendo a nossa sociedade. Os brasileiros que querem um Brasil melhor rezarão para que estejas em paz ao lado de Deus...

“O relativismo moral se manifesta, ainda, numa outra importante seara social, que são os direitos humanos. Para a militância dos direitos humanos apenas os assassinos, ladrões e estupradores devem ter direitos humanos. Chega a causar náuseas ver comissões e grupos ligados aos direitos humanos saírem em defesa de delinquentes autores dos crimes mais cruéis, ao passo que viram as costas para a população vitimada pelas suas ações, além dos milhares de policiais mortos por aqueles.” Bernardo Guimarães Ribeiro, na obra Nadando Contra a Corrente.

Que deus tenha piedade de nós!..


      Silvio Miranda Munhoz


 cronista da Tribuna Diária, Presidente do MP pró-sociedade, membro do MCI (Movimento contra a impunidade). As ideias contidas na presente crônica representam, única e exclusivamente, as ideias do autor.

           

              

 

 

 

 

 



[1] https://www.significados.com.br/chacina/

[2]https://www.aulete.com.br/confronto