A CONQUISTA DA CORAGEM

Por Eduardo Vieira 23/05/2021 - 15:59 hs

Joãozinho tinha apenas sete anos e sua mãe o fazia ir dormir sozinho. Como tinha medo de cantos escuros e outras coisas assombrosas que podiam aparecer a qualquer momento, ele pedia para o seu pai o acompanhar numa oração.

- "Que bom que está comigo, papai. Eu sou corajoso mas de noite sinto um pouquinho de medo, sabe?" - disse João.

- "Sim, meu filho. Você é muito corajoso e com o tempo vai aprender a vencer até esse medinho do escuro. Lembre-se de que seu anijnho da guarda está sempre tomando conta de você."

- "Prefiro você , papai." - respondeu rápido o menino, com um brilho sapeca nos olhos. Seu pai lhe deu um olhar carinhoso e sorriu.

- "Você tinha medo quando tinha a minha idade?" - continuou João.

- "Sim, filhote. Mas depois com o tempo a gente percebe que não existe nenhum motivo para sentir medo."

- "Nenhum?"

- "Olha, pense na pior coisa que poderia te acontecer." - provocou o papai.

- "Morrer?" - perguntou Joãozinho. Imediatamente arregalou os olhos e sorriu. Seu pai viu ali a compreensão do que queria dizer.

- "Você sabe, meu filho, que morrer  é ir para perto de Deus. A pior coisa que pode acontecer é desagradar a Ele e apenas você poderia fazer isso. É só ficar atento e ter força para ser bonzinho sempre. No final, todos se reúnem na casa de Deus, que é uma enorme beleza, mais linda que qualquer sonho maravilhoso." 

Joãozinho desviou o olhar para cima, imaginando. Seu pai continuou:

- "As tristezas que sentimos na vida são o que Deus nos dá para entendermos melhor a realidade. Você ainda é pequeno para compreender isso mas lembre-se sempre: Depois de cada tristeza vem a alegria e o amor de Deus está sempre com você, basta você querer recebê-lo."

Joãozinho tornou a olhar para o pai e seus olhos brilharam de outra forma.

- "Mas eu sinto saudades de você, papai."

- "Eu também, filhinho. E sempre estarei aqui bem do seu lado. Seja corajoso e ajude sempre a mamãe."

- "Sim, papai. Pode deixar." - Joãozinho secou os olhos e firmou o queixinho, que estava tremendo. Seu pai lhe dirigiu um olhar cheio de amor e se despediu.

Joãozinho correu até o quarto da mamãe e deu-lhe um abraço apertado e um beijo de boa noite. Deu-lhe ainda uma boa olhada para garantir que seus olhos estavam felizes. Depois, voltou para o seu quarto e já não sentia medo das sombras.

Deus estava com ele.

colunista EDUARDO VIEIRA para o Tribuna Diária