DISTORCENDO AS PALAVRAS 2

as ruas causando fissuras na bolha...

Por SILVIO MUNHOZ 27/05/2021 - 20:13 hs

     E as ruas causando fissuras na bolha...

“Vivemos em guerra cultural, e a esquerda utiliza, diuturna e incessantemente, poderosa arma, talvez, uma das mais efetivas, nesse entrechoque, a manipulação semântica, a utilização corriqueira decorre da simplicidade e eficácia, basta mudar o sentido das palavras para que expressem o sentimento favorável ao desejo do manipulador.”[1]

Pensando de novo no tema, lembrei-me de outras palavras de utilização costumeira por quem está engajado nessa guerra cultural e possui o viés comuno/socialista e, claro sempre de forma manipulada, nos casos que mencionarei hoje como forma de colocar estigmas em quem é contrário à causa do manipulador.

Talvez nenhuma palavra, com seu viés manipulado, seja mais utilizada nos dias atuais que “fascista” – leiam antigo artigo onde analiso o termo.[2] Hoje, sobre o uso da palavra “fascista” repasso um relato de minha esposa, que é funcionária pública federal exercendo um cargo de chefia em um hospital: “certo dia ao adentrar na sala da direção, para uma reunião com a Diretora, é surpreendida com a frase da funcionária que a acompanhava ‘detesto vir aqui’; surpresa minha esposa pergunta, ué porquê? Prontamente respondida, por que detesto olhar para esse “fascista”, apontando o dedo para o quadro do atual Presidente que ornava a parede da sala. Nova pergunta, qual o porquê de chamares o Presidente de “fascista”? Pronta resposta, obriga a colocarem seu retrato na parede para a gente ficar olhando!.. Sério, não estou troçando de vocês meus caros leitores...

Minha esposa, inconformada, faz mais uma pergunta: achavas o Lula e a Dilma “fascistas”, pois todas as repartições públicas federais (e não é obrigatório, embora usual) sempre ostentam os quadros dos Presidentes do momento e o do primeiro esteve aí 8 anos e o da segunda 6? A resposta veio sem titubear, não lembro, nunca vi. Moral da história “fascista”, em uma de suas semânticas manipuladas, significa a pessoa que ‘eu não gosto de ver’ mesmo que seja em retratos e, pior, causa amnésia (seletiva é claro)!..

Os últimos acontecimentos: a instauração de uma CPI, que mais parece um circo; a ex-imprensa que sem um minuto de folga desde o início da pandemia tenta atribuir as culpas dos malfeitos ao Presidente, mas quando a coisa funciona atribui aos Governadores e Prefeitos – levando as últimas consequências a ideia de nossa Suprema Corte que deu com os burros na água, pois sabido, hoje, o equívoco da descentralização do combate ao vírus; com as encomendadas pesquisas que, a exemplo de 2018, apontam coisa, totalmente, diferente da realidade das ruas; levou o povo às ruas novamente – mesmo ainda não terminada a pandemia para mostrar o seu verdadeiro sentimento.

Em uma dessas oportunidades, a chamada “motociata” realizada no Rio de Janeiro, na qual incontáveis motoqueiros acompanharam o Presidente da República em um passeio de moto pelas ruas do Rio de Janeiro, acabei descobrindo um significado novo – semanticamente manipulado é claro - que não conhecia, para a palavra “radical”.

Durante o evento alguém, com claro viés esquerdista, – não descobri o nome da pessoa –, gravou um vídeo que vazou e viralizou nas redes sociais, lá pelas tantas o sujeito lança a seguinte pérola (minuto 2:45, vídeo postado ao final): “vocês não tem ideia mesmo do que é ‘radical’, ‘radical’ de direita, os caras são selvagens pra caramba, agressivos, tudo com bandeira do Brasil, tudo com camiseta do Brasil, é impressionante eu nunca vi nada parecido na minha vida.”



Perceberam, uma manifestação que não apresentou nenhuma loja quebrada, banco assaltado, gente morta ou gravemente lesionada por violência dos manifestantes – ao contrário do que costuma acontecer em manifestações comuno/socialista como antifas etc. -, mas são “radicais”, selvagens, agressivos, por portarem bandeiras do Brasil e com orgulho vestirem camisetas do Brasil. Realmente temos de aprender com os esquerdistas a manipular as palavras, pois quem controla as palavras domina o imaginário e pode ganhar a guerra sem  muita força, só fazendo quem pode ser manipulado acreditar nas narrativas.

Por outro lado esse evento mostrou, igualmente, que se são mestres em dominar as palavras, a realidade do POVO nas ruas começa a causar algumas fissuras na “bolha esquerdista” e através dessas pequenas fissuras começam a enxergar a realidade.

No mesmo vídeo vazado nosso personagem refere: “Vai ser muito difícil botar esse cara pra fora. Nunca vi tanta moto na minha vida [...] Essa pesquisa que o Estado de São Paulo fez, dando o Lula com larga margem de vantagem, não sei não, não sei não!... Tô com medo pra caramba, vocês não tem ideia do tamanho, da grandeza, dessa manifestação [...]” (o relato desse personagem vai de 0:56 a 5:18 no vídeo publicado ao final).

Na parte inicial do vídeo vemos um ator global, igualmente, esquerdista confessando no seu desabafo o que a ex-imprensa não falou em momento algum – o mote da maioria das matérias foi a aglomeração e não estar o Presidente usando máscara (nada falaram em contrapartida da imensa aglomeração ocasionada pela Sindicato dos metroviários ao determinar uma greve nos metros de São Paulo[3] sem avisar os usuários, o porquê todos sabemos) – o tamanho da manifestação a favor do Presidente da República, quando menciona: “Não para, não para, faz 7 minutos que essa m.. está aqui sem parar”, referindo-se as motocicletas que acompanhavam o mandatário maior de nosso país em seu passeio e passavam debaixo de sua janela!..

Com certeza, duas lições esses episódios deixaram: é necessário sempre e sempre denunciar a utilização manipulada que fazem das palavras e indispensável continuar, de modo pacífico e ordeiro, mostrando nas ruas a força de um povo unido na busca de dias melhores, mesmo desafiando as forças contrárias que querem manter o Brasil como o paraíso da impunidade, o país da corrupção, ou seja, ‘tudo como d’antes no quartel de Abrantes’ para seguirem se locupletando.

         Será que esse choque de realidade os acordará da letargia Zumbi?

Mas o pior é que eles perdem a capacidade de ter um raciocínio independente. De seguir a lógica para chegar a uma conclusão.  De perceber contradições em idéias e textos.  Acumulam “conhecimentos” e repetem as palavras de ordem dos militantes que são hegemônicos [...] são Araras Vermelhas  que palram, aos berros, o que lhes foi ensinado e assim seguirão amaldiçoados para sempre,  até que um beijo encantado ou um choque de realidade os acorde dessa letargia zumbi: o que raramente ocorre...” Adriano Alves-Marreiros[4]


Que Deus tenha Piedade de nós!...


 Silvio Miranda Munhoz

[1] https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/910/distorcendo-as-palavras.html

[2] https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/372/os-fascistas-brasileiros.html

[3] https://economia.ig.com.br/2021-05-18/greve-metro-sao-paulo-reajuste-salarial.html

[4] https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/690/ou-aceita-que-a-grama-e-vermelha-ou-a-sua-nota-sera-ainda-sobre-logica-e-raciocinio.html