O DIA D

virtude são coisas bem diferentes de trancar-se em casa por medo de um vírus.

Por ÉRIKA FIGUEIREDO 07/06/2021 - 21:42 hs

Vi vários posts, ontem, celebrando o aniversário do dia D, na Normandia, um deles de minha queridíssima Catarina Linhares, que integra a bancada do programa Elas e Ele comigo.

Em uma terça feira, 6 de junho de 1944, os Aliados invadiram a Normandia, através da Operação Overlord, que reuniu franceses, britânicos, americanos e canadenses, marcando o início da campanha de libertação do território europeu do domínio nazista.

Este episódio selou o destino da Segunda Guerra Mundial e consequentemente, mudou a História da Humanidade, sinalizando o começo do fim do império do terror de Hitler.

Jovens corajosos arriscaram suas vidas, para que nós, hoje, possamos desfrutar da liberdade que tempos de paz trazem. Isso me faz lembrar da icônica frase de Ronald Reagan: “a liberdade nunca está a mais de uma geração de sua extinção”. Reagan dizia que a liberdade não é um direito adquirido ou algo que se herde pelo sangue. É preciso lutar para protege-la e defende-la de ataques.

As últimas gerações nasceram sob a égide da liberdade no Ocidente. Os governos democráticos lideram, na maior parte dos países da Europa e das Américas, e podemos exercitar nossos direitos com autonomia e independência, sem receio de sermos perseguidos, ameaçados, presos ou mortos.

Entretanto, esses direitos estão sofrendo grave risco nessa segunda década do século 21, em que abrimos mão de conquistas tão extenuantemente perseguidas por nossos antepassados, justamente por não termos, na maioria das vezes,  nem a mais vaga idéia do que seja viver com medo e limitações das mais variadas.

Entregamos o controle de nossas vidas ao Estado, para que decida por nós o que devemos fazer e como devemos agir, sem nos apercebermos que esse é o embrião do totalitarismo, tão arduamente atacado pelas gerações que nos precederam.

Reagan estava coberto de razão: a liberdade, se não for vigilantemente protegida, pode ter fim. No dia D da Normandia, milhares de homens lançaram-se em uma batalha sangrenta, difícil, imprevisível e perigosa, a fim de libertarem o mundo do poder nefasto de Adolf Hitler, que marchava sobre as nações subjugando-as, impondo suas ordens e punições a todos.

Na atualidade, entregamos, em bandejas de prata, essa mesma liberdade, a tiranos de plantão, que impõem restrições e limites à população de todo o mundo. Como se não pudéssemos imaginar o que vem depois, aceitamos ficar em casa, não trabalhar, não ir à escola, à faculdade e à igreja, vacinação obrigatória, direitos sendo esvaziados, acreditando que essas pessoas cuidarão de nós e nos protegerão de um vírus que está no ar.

Ronald Reagan, aliado a João Paulo II e Margaret Thatcher, pôs fim ao avanço do comunismo, com força e coragem, salvando o mundo de tantas atrocidades que foram cometidas por esse regime, ao longo do  século XX, e que  promoveu o assassinato de 100 milhões de pessoas.

Winston Churchill, em 1944, Primeiro Ministro britânico, capitaneou a operação do dia D, com essa mesma força e idêntica coragem, que anos depois foram vistas em Reagan, em episódios que gravaram os nomes desses gigantes no livro da História.

Tantos jovens morrendo pela liberdade de suas nações, em pleno campo de batalha, alguns ainda imberbes e recém saídos da escola, e nós, aqui, trancados em casa, acreditando que ter coragem é “suportar” isso com resiliência e não deprimir.

Houve gerações inteiras, nascidas na primeira metade do século XX, que apenas conheceram a guerra, a privação, a morte, o sofrimento, a fome, a doença e a miséria. Essas pessoas avançaram, silenciosa e bravamente, rumo à reconstrução de suas vidas e à superação dos inúmeros obstáculos que a realidade lhes impunha.

Graças ao trabalho obstinado dessas pessoas, e ao senso de dever que as mesmas revelaram, estamos aqui. Somos o produto dessa vivência estóica e determinada, que conquistou direitos e liberdades para a civilização.

Ao perceber que vivemos dominados pelo medo, pela mediocridade e pela covardia, renegando tudo que nos foi legado e ensinado pelo exemplo dos que nos precederam, morro de tristeza e de vergonha, e pergunto-me como pudemos chegar a este ponto lamentável.

            Meu avô materno lutou na Primeira Guerra Mundial. Veio da Europa fugindo do avanço do nazismo, já que era alemão e possuía sangue judeu. Não cheguei a conhecê-lo, mas guardo por ele a mais profunda admiração.

Minha avó paterna foi uma mulher à frente de seu tempo. Teria completado cem anos na data de ontem, caso não houvesse falecido em 2004. Foi uma pioneira em várias áreas da vida, e sua conduta norteou muitas das escolhas que fiz.

Essa grande mulher dirigiu, foi tabeliã, andou a cavalo de calças compridas, divorciou-se e criou dois filhos sozinha, em uma época em que tudo isso era impensável para as mulheres. Sem perder a feminilidade, sem vitimizar-se, sem ser feminista ou revoltada. Ao contrário, foi luz por onde passou, e arrastou multidões com seu exemplo.

Só me resta seguir os passos de meus antepassados, lutando pela manutenção das liberdades que estes ajudaram a conquistar, deixando um legado para a posteridade. Tanto a coragem do meu avô, quanto a independência e o empreendedorismo da minha avó, forjaram a ferro e fogo minha personalidade e modularam meu caráter, levando-me a ser quem eu sou.

Por isso, todas as vezes que você pensar que o momento atual é muito difícil, e que é um ato de coragem passar por isso sem reclamar, pense que coragem e virtude são coisas bem diferentes de trancar-se em casa por medo de um vírus, e que não foi para testemunharem tamanha covardia e falta de brios, que tantos morreram por nós.

  ERIKA FIGUEIREDO