OS ANIQULADORES DA EXISTÊNCIA

A nova velha classe política brasileira...

Por PEDRO LAGOMARCINO 29/06/2021 - 15:55 hs

A pandemia causada pelo vírus chinês do COVID-19 estabeleceu, lamentavelmente, além da perda diária daqueles que mais amamos e bem queremos, um caminho sem volta em nossa existência: o distanciamento físico irreversível.

Pouco importa qual a ideologia ou o viés político que se professe ou que se queira ter, é fato, nossas vidas jamais serão como eram antes. Os noticiários que assistíamos, décadas atrás, sem compreendermos o porquê de pessoas usando máscaras ao transitarem pelas ruas em países asiáticos passou a ser a realidade de todos os países do ocidente e, por supuesto, a nossa também.

É bem verdade que há, ainda, quem seja refratário proferir a expressão “vírus chinês” como se temesse a forca. Alguns, ficam acanhados de pronunciá-la, pois temem que se expressarem o que realmente sentem serão acusados de xenofobia. Outros, dos mais diversos matizes, por razões ideológicas óbvias, apreciadores de estapafúrdios livretos vermelhos marxistas, ainda creem, mesmo em pleno ano de 2021 d.C., que sistemas comuno-socialistas arcaicos serviram alguma vez na história aos trabalhadores, e não a ditadores, mais causando o bem, e não o mal à humanidade, indiferentemente, a terem proliferado dinastias de ditadores que imperaram por décadas e querem retornar ao poder, logicamente, com aversão a democracia e ao Estado Democrático de Direito, fundado no império da Lei, no exercício da cidadania, no sufrágio universal e na participação popular. Nada parece ser tão atávico do que a existência insignificante de quem absorva dogmas sem questionar e refletir a contra-catequese que se jurou a obedecer, na medida em que esta traz em seu âmago a negação do próprio Cristo. Nem tudo está perdido... afinal de contas, “domingo é dia santo e sempre é dia de ir a missa, fazer o sinal da cruz, rezar o Pai Nosso e comungar”, contanto que após o final do culto tudo volte a ser como era antes, não é verdade? Outros ainda, seja por total ignorância, seja por apatia e ou desinteresse, declinam de entender a verdadeira origem do vírus. Neste mundo invertido e avesso que estamos imersos, onde o que vale é a narrativa do que se queira sustentar, pouco importando se a verdade lhe é cara ou não, prepondera a inversão de valores e faz da humanidade refém do monstro que criou: um Estado com poderes inesgotáveis, propício para quem faz da política a profissão. Mais Estado, mais intervenção, menos autonomia e liberdade do indivíduo. Esta sempre foi e continua sendo a equação e a “ordem do dia” de ideologias e regimes comuno-socialistas. E neste particular, quem detém a posse de uma mandato ou é ungido com pomposos cargos em comissão, passando a integrar o “staff” da máquina, aflora os registros de seus códigos genéticos de burocrata, os quais somente a hereditariedade primitiva poderia explicar, passando assim a alicerçar suas intenções, para que toda espécie de patrulhamento ocorra, objetivando o constante monitoramento do cidadão-eleitor, em relação ao que pensa e ao que diz, para não apenas saber sobre suas preferências, opções e inclinações dos votos, mas em especial com o intuito de se poder criar discursos estéreis e hipócritas, para satisfazer o eleitorado que um dia haverá de votar. O uso do “staff” da máquina para perseguir, constranger a liberdade e o exercício da livre manifestação do pensamento passou a ser deveras previsível.

Importante relembrarmos que em meados de dezembro de 2019 o mundo todo foi colocado em verdadeiro estado de pânico, quando milhares de veículos da mídia tradicional, leia-se, a esmagadora maioria de jornais, revistas, redes de televisão e emissoras de rádio noticiaram que 17 (dezessete) pessoas haviam sido levadas a óbito e mais de 400 (quatrocentas) outras haviam sido contaminadas pelo coronavírus (também chamado de Sars-Cov-2 ou COVID-19) na cidade chinesa de Wuhan. No entanto, ao mundo todo as autoridades chinesas, de forma surreal, noticiavam que o vírus teria vindo dos pobres pangolis ou de morcegos encontrados em um mercado público na referida cidade. E essa imprensa tradicional amestrada, como não poderia deixar de ser, sempre preferindo a versão aos fatos, repercutia tais factoides, como se tivesse propriedade para afirmar de forma cartesiana, o que nem mesmo os cientistas sabiam ser o acertado naquele momento. Sim, pasmem, as câmeras, matérias e editoriais da mídia amestrada culpavam, injustamente, os pobres dos pangolins ou dos morcegos do mercado público de Wuahn, como sendo os hospedeiros do novo grande mal da humanidade: o COVID-19.

Ao longo deste período, de forma extremamente claudicante, verdade seja dita, a OMS – Organização Mundial de Saúde –, sequer sabia como proceder, bem como cogitava emitir uma declaração de emergência de saúde pública de caráter internacional sobre este particular.

Não demorou muito para que os veículos de comunicação independentes no mundo todo, sem as amarras da mídia amestrada, divulgassem que o 1º contágio com o vírus ocorreu, na verdade, em 17-11-2019, na província de Hubei, na China. Mais, também divulgaram que as autoridades chinesas escamotearam, ou seja, omitiram de forma proposital, os dados sobre o contágio e os efeitos da letalidade do vírus, quando já existiam 381 (trezentos e oitenta e uma) pessoas infectadas. Em março do ano 2020, pasmem, mais de 80.000 (oitenta mil) pessoas já tinham sido infectadas e mais de 3.000 (três mil) pessoas já tinham ido a óbito na China, devido ao COVID-19.

Somente em 11-03-2020, ou seja, praticamente, 4 (quatro) meses depois do primeiro contágio é que a OMS declarou estado de pandemia, em razão do coronavírus. Mais, a OMS, no início da pandemia, estimulou, e muito, sem se ter comprovação científica, o “lockdown” no mundo todo. Todavia, com o tempo, contrariada pelos dados e pela ciência, cedeu e voltou atrás, depois de declarar o óbvio, o que seja, o “lockdown” somente aumenta os efeitos da pandemia, como a miséria aos quatro cantos, a fome, a perda de renda e o desemprego.

No Brasil... ah... o Brasil... como não poderia deixar de ser, tudo, absolutamente tudo, se politizou. Inconfundíveis veículos da mídia tradicional amestrada, que ao longo de 16 (dezesseis) anos foram inundados com fortunas imensuráveis de recursos públicos do governo federal, com a condição de que divulgassem as pautas favoráveis ao governo, pasmem, mesmo sabendo o óbvio, ou seja, que não existia vacina para se combater os efeitos exponenciais do vírus e se imunizar a população, acabaram produzindo a xepa do jornalismo, na medida em que se dedicaram em transformar os telejornais, num ode ao sensacionalismo de 5ª classe, agora com uma pauta atemporal: diariamente se divulgar o número de mortos por COVID-19, sem nunca dar ênfase ao número de recuperados que não vieram à óbito, bem como a atacar o governo federal em praticamente todos os blocos das grades da programação. As razões para tanto são claríssimas, na medida em que o aporte estratosférico do montante de recursos públicos advindos do governo federal para fazer “marketing governamental” foi drasticamente reduzido pelo próprio Presidente da República.

E assim inoculava-se e exsurgia, em todo tecido social brasileiro, de norte a sul, o comportamento típico dos aniquiladores da existência. A iniciar pelo despeito de se questionar quem e qual autoridade teria a competência para decidir e implementar medidas preventivas e políticas de saúde pública de urgência, para enfrentar e combater os efeitos do coronavírus, ou seja, se o Presidente da República, ou se Governadores e Prefeitos. Depois, por se questionar se estes últimos poderiam proibir o direito de reunião, determinar o “lockdown”, o fechamento de templos de fé, a paralisação das aulas em escolas e universidades e o que é mais estarrecedor, se poderia se proibir, em vez de implementar, o tratamento precoce na rede pública de saúde, como já havia sido implementado em outros países e recomendado por milhares de médicos no mundo todo, com a explicação dos riscos e o consentimento do paciente.

Instado a deliberar, o guardião da constituição (STF) decidiu dar autonomia a Governadores e Prefeitos para decidir sobre ações de urgência, gastos e políticas públicas sobre o enfrentamento e o combate ao Covid. O que a decisão do STF concretizou, verdade seja dita, neste particular, foi não uma sandice, mas uma hecatombe social. A iniciar por decidir dar poderes a quem, pouco ou nada sabe, quiçá conhece, ou tem condições e aptidões para desenvolver medidas de saúde pública de urgência ou desenvolver políticas públicas de urgência para combater e enfrentar uma pandemia. Depois, por não se cogitar que a realidade estrutural, administrativa e o quadro funcional de esmagadora maioria de Prefeituras no Brasil é imensamente deficitária, senão caótica, evidentemente, não comportando o desenvolvimento de medidas de urgência e o desenvolvimento de políticas públicas de urgência, por razões ululantemente óbvias. E assim a República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados, Municípios e Distrito Federal tornou-se um simulacro de arremedo de Federação.

Exsurgiram os perfis de Alcaides Estaduais e de Alcaides de Paróquia, anteriormente chamados de Governadores e Prefeitos, para firmar atos administrativos deploráveis, através de seus canetaços, travestindo a legalidade sob a roupagem de Decretos, sejam estaduais ou municipais, os quais possuíam letalidade maior do que qualquer arma de fogo, implodindo de vez com a Federação. O Presidente da República e a Presidência da República passou a ser, pasmem, em meio a pandemia, algo de menor importância do que Governadores, Casas Civis, Prefeitos e Prefeituras. Ah... o Brasil! Em vez de validar o que consta na Constituição Federal, permitindo que o governo federal desenvolvesse um planejamento e ações de urgência sincronizadas e organizadas logisticamente, deu poder para que Alcaides Estaduais e Alcaides de Paróquia organizassem seus feudos eleitorais mais lembrando e idade média quando para ingressar sair ou entrar em um feudo se precisava de carroças. Ora veja, enquanto em um Estado se decidia de uma maneira, em outro se decidia de maneira completamente diversa. Enquanto em um Município se decidia algo de uma forma, em outros 5.569 Municípios do país se decidia de forma completamente diversa. Paralelamente a isso, a mídia amestrada festejava ainda mais a retroalimentação das pautas para atacar o governo do atual Presidente da República das mais inconfundíveis e sorrateiras formas de se “fazer” notícia pedestre. E a hecatombe social se comprovou na prática, aos olhos de todos, quando os Alcaides Estaduais, numa produção fordista de Decretos Estaduais lavavam as mãos, a ponto de constranger Pôncio Pilatos, transferindo as responsabilidades que seus mandatos lhes obriga a zelar, para que Alcaides de Paróquia fizessem algo, os quais, por sua vez, “seguindo o exemplo”, transferiram as responsabilidades que também estão obrigados a cuidar, para que empresários, empreendedores, comerciantes, profissionais liberais e cidadãos de bem enfrentassem e combatessem a pandemia.

Eclodiram então as notícias dos escândalos. Ora, ora, estamos no Brasil caras-pálidas! Testemunhamos os superfaturamentos e as compras nunca entregues de respiradores, de insumos e materiais médicos. Assistimos os gastos na construção de hospitais de campanha que nunca foram sequer erguidos. Testemunhamos alas e leitos que nunca foram inauguradas, muito menos entregues à sociedade. Testemunhamos pane em rede elétrica em um Estado inteiro. Assistimos compras de tubos de oxigênios comercializados de forma selvagem. Testemunhamos jornalista sendo preso e submetido a situação degradante, simplesmente, por noticiar o que sua profissão lhe permite e a liberdade de imprensa consagra. Assistimos Deputado Federal, de posse de mandato e com imunidade parlamentar, sendo preso, pasmem, com esdrúxula ordem de prisão em flagrante, simplesmente por expor suas palavras, em que pese tenham sido deveras inapropriada a forma com que foi feita. Testemunhamos Ministra julgando réu que lhe nomeou da Corte em que está. Assistimos Ministro julgando pela anulação de delação, em caso em que réu afirmou que quem votou recebeu propina. Um verdadeiro fiasco, ao vivo e à cores, de parte dos que deveriam dar o exemplo, a iniciar pela declaração de suspeição ou de impedimento, a bem da altivez, para se evitar a produção de julgamentos parciais. Testemunhamos Ministro, em plena sessão de julgamento, erguendo passagem de avião, para solicitar a suspensão do julgamento, diante de compromisso particular que teria a cumprir. Assistimos Ministro ofendendo Procuradores Federais concursados com palavras impronunciáveis, a exemplo de “desqualificados”, “despreparados”, “gângsters”, “cretinos”, “gentalha”, “falsos heróis” e que “integram organizações criminosas”, constrangendo quem honra o decoro e a liturgia das mais altas Cortes. Testemunhamos a criação de CPI do COVID-19, a qual deveria apurar os desvios de verbas públicas enviadas pelo governo federal para Estados e Municípios, os desvios de finalidades, o superfaturamento de equipamentos médicos e insumos hospitalares, sendo presidida e relatada por que tem a reputação “mais limpa” que um manguezal e o “aroma” mais fétido que se conheça. Comissão Parlamentar de Inquérito? Não, longe disso, Circo Permanente de Impropérios: tacanho, pequeno, baixo, sem nada a apurar e muito a envergonhar. Até a realização da Copa América, pasmem, por mais surreal que seja, parou em pauta de urgência, em sessão extraordinária, realizada no STF.

Seguiu-se assim, uma linha inimaginável de judicializações de toda espécie de medidas, parte advinda da ala de opositores ao governo federal, no qual figuravam associações, ONG’s, sindicatos e legendas partidárias e, outra parte, formada por empresários, por empreendedores, comerciantes, profissionais liberais e cidadãos de bem que tentavam se defender do avanço exacerbado do Estado (leia-se: de Estados e de Municípios) os quais fechavam as portas de empresas, de empreendimentos, de escritórios, de atividades, lacrando e impondo multa a proprietários de estabelecimentos, inclusive promovendo prisões em flagrante, por meio de seus fiscais e guardas municipais, sob a alegação de que se tratavam de “atividades não-essenciais”. E assim, o sensacionalismo de 5ª classe da mídia amestrada era retroalimentado ainda mais, 24h por dia, com câmeras e flashes ligados, televisionando ao vivo e a cores estes acontecimentos, com ares de ditar ao cidadão de bem o dever de obedecer de forma cega o avanço inconstitucional e ilegal de governos estaduais e municipais, com se isso fosse normal, e não como atos de abuso de autoridade e abuso de poder.

Foi assim, sem tirar nem por, em diversos Estados e em milhares e milhares de cidades do Brasil que o cidadão de bem teve seus direitos e garantias constitucionais reduzidos a pó, culminando por perder até o direito de se exercer o trabalho digno, de se sustentar e de prover o sustento de sua família, sem que este mesmo Estado que lhe tratou como transgressor da Lei e criminoso, lhe alcançasse ou compensasse em pé de mínima igualdade, os rendimentos que possuía.

E enquanto os profissionais da linha de frente (desde a portaria dos hospitais, passando por recepcionistas, faxineiros, técnicos administrativos, enfermeiros, fisioterapeutas, médicos e diversos outras especialidades) tratavam doentes internados acometidos de COVID-19, certa parte de “cidadãos”, usando de uma libertinagem sem igual, não estava e continuam não estando nem aí para o próximo, expondo tudo e a todos, sem tomar os mais básicos cuidados, como o uso de álcool gel, máscaras e evitar aglomerações.

A classe política, no Brasil, verdade seja dita, com raríssimas exceções, em vez de unir-se em prol do bem comum, debruçando-se, dia e noite, a desenvolver e apresentar projetos de grande impacto, para tentar fazer frente aos efeitos exponenciais da pandemia e reverter o quadro caótico instalado pelos efeitos da pandemia e devido ao avanço exacerbado do poder dos Alcaides de Estado e dos Alcaides de Paróquia, dedicava-se cada vez mais a aumentar as politizações. Ora veja, quanto mais expectadores assistindo “o circo”, mesmo que “certos palhaços não têm a menor graça”, os “donos do circo” ganham mais “aplausos”, a exemplo do que se observou em lives patéticas, engendradas para querer disputar a atenção do “respeitável público”, mais se assemelhando as focas que equilibram bolas coloridas e pedem aplausos para receber seus peixes. Neste microcosmo estapafúrdio, parlamentares improdutivos e incapacitados, que certamente pouco ou nada apresentaram ou apresentarão algum dia de útil ou relevante, encontraram solo fértil para suas incompetências e incapacitações ao se travestirem de representantes eleitos e se transforem em YouTubers, com progamecos sem qualquer conteúdo, exibidos com a condição sine qua non que ocorra exposição de suas próprias figuras. E o Brasil então passou a conhecer o arremedo a simulacro da Lei de Darwin a “contrario sensu”, ou seja, quanto mais aumentavam os efeitos da pandemia e as pessoas evidentemente eram forçadas a refletir o que realmente se entende por útil e relevante, bem como com quem realmente gostariam de ter mais proximidade e passar mais tempo em vida, inacreditavelmente, aumentava-se o “consumo” de lives e o culto a políticos improdutivos e incapacitados no “grande circo Brasil”.

Estamos cansados e exaustos.

Nada mais precisa ser dito.

Todos passamos a conhecer quem são os inconfundíveis aniquiladores da existência. A história haverá de não fazer que sejam esquecidos por todas as gerações.

 


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