HUMANISMO TÓXICO II

morta à sangue frio enquanto esperava o filho na porta do colégio...

Por FABIO COSTA PEREIRA 29/06/2021 - 17:00 hs

Na final da tarde da quinta-feira do dia 25 de agosto de 2016, defronte ao colégio Dom Bosco,  na  capital gaúcha, Porto Alegre, uma mãe, como tantas outras iguais a ela faziam e fazem todos os dias, enquanto esperava o seu filho sair do colégio, foi morta à sangue frio por inclemente assaltante que se irritou com a demora dela em tirar o cinto de segurança.


O criminoso, com vasta ficha criminal desde o advento da sua  maioridade, já tinha sido condenado por tentativa de latrocínio e respondia judicialmente pela prática de inúmeros outros crimes onde a violência contra a pessoa era uma constante.


Um misto de lei penal leniente e interpretações das normas  marcadas pela benevolência, onde a exculpação dos “pecados” e a crença na bondade humana e na remissão (perdão por compaixão ou misericórdia) dos “malfeitos” são por demais presentes, permitem com que o tempo de cárcere de criminosos potencialmente perigosos ao contexto social seja o mínimo possível.


A empatia, nesses casos, é direcionada ao algoz, sujeito que se acredita vítima de um sistema injusto, causa primeira de sua adesão ao crime, e não às pessoas que sofrem as efetivas consequências dos crimes por aquele praticados.


O resultado de tudo isso, que se sustenta em um tóxico humanismo, que acredita ser regenerável quem regenerável não o é ou não o quer ser, protege o Lobo e expõe as ovelhas à sanha do predador, tal como dizia o escritor Vitor Hugo.


Por esse motivo, toda vez que escuto nos noticiários as novas sobre a caçada e os feitos do assassino em série do Distrito Federal, Lázaro Barbosa, narrados pela mídia com certo tom de estupefação, não consigo me surpreender.


Os casos do assassinato defronte ao colégio e do criminoso em série do Planalto Central, infelizmente, na toxidade humanista que relatei, encontram profunda semelhança, onde benefícios e mais benefícios são concedidos  a quem não os merece (aqui não falo jurídica, mas concretamente) e estes, aproveitando-os para fugir das barras da lei, usam as oportunidades dadas para fazer o que de melhor o sabem, cometer crimes.


A eventual captura de Lázaro, assim como não o foi a do assassino da mãe que esperava o seu filho defronte ao colégio, não marcará um ponto de inflexão para melhor no sistema, pois enquanto este permanecer como está, sedimentado na cega crença de que ressocializar quem não quer ser ressocializado é possível, não haverá luz no fim do túnel a não ser a do trem vindo em sentido contrário.


Por essa descrença no sistema é que a família da mãe assassinada fez insculpir, em sua lápide, os seguintes dizeres: “Aqui descansa em paz mais uma vítima da violência urbana causada pela incompetência e impunidade de governantes e juízes deste país”.


Tirem as suas próprias conclusões.


E que Deus tenha piedade de nós!

  FÁBIO COSTA PEREIRA para o Tribuna Diária


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