Charlie Gerow para o Tribuna Diária

E depois do debate...



O primeiro debate de 2020 agora é história e, para aqueles que ainda estão tentando compreender a cacofonia e o caos do encontro de terça-feira à noite, há alguns pontos importantes a serem considerados.

Primeiro, é improvável que muitas mentes tenham mudado. A equipe de Biden conseguiu o que queria, 90 minutos sem erros gritantes do Sr. Biden. Trump fez o que queria fazer também. Para as bases de ambas as equipes o contexto não mudou muito.

Não houve nenhum dos golpes nocauteadores que os telespectadores cobiçavam.

A pequena fatia do eleitorado que ainda está em jogo ou ainda a ser persuadida teve um vislumbre de ambos os candidatos no seu melhor — e no seu pior.

Em segundo lugar, não havia muita dúvida de que o presidente Trump iria "ser ele mesmo" no primeiro confronto “cara a cara” da campanha. Todos seus conselheiros disseram que "Trump deveria ser Trump". E ele foi, e muito.

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O problema é que, muitas vezes, deixar Trump ser Trump não permitia que Biden fosse Biden. Forçar Biden a simplesmente responder à pergunta que lhe foi feita, em vez de deixá-lo fazer um discurso preparado, teria proporcionado os “golpes nocauteadores” que a equipe do presidente esperava.

Ficou claro que a equipe de Biden tinha cuidadosamente roteirizado e ensaiado religiosamente suas respostas e reações preparadas com o seu candidato. Cada uma das respostas de Biden soou como um discurso de campanha lido de seu familiar teleprompter.

A chave para Trump marcar um nocaute era dar a Biden corda suficiente para se enforcar. Permitir que Biden saísse do seu roteiro e realmente respondesse às perguntas que foram colocadas teria exposto a sua maior fraqueza - sua constante inclinação em direção à esquerda radical.

Infelizmente, muitas vezes, quando Joe Biden estava começando a fazer exatamente isso, ele foi interrompido, seja por uma interjeição de Trump ou uma intervenção salvadora do moderador, Chris Wallace. Até mesmo nos momentos em que Wallace estava preparado para forçar Biden a responder à pergunta, ele foi “cortado”.

No entanto, ainda houve, nos 98 minutos de debate, vários momentos em que os candidatos deixaram transparecer suas reais opiniões. A recusa de Biden em responder à pergunta sobre a proposta de acrescer cargos de Juízes na composição da Suprema Corte estava entre as mais importantes. Sua relutância em dizer ao povo americano o que realmente pretende disse muito. Ele está de acordo com a ala radical da esquerda nessa questão.

A campanha de Biden tem falado - durante a maior parte da corrida eleitoral sobre um "retorno à normalidade" - ou para eles um "novo normal". No entanto, eles estão apresentando sugestão após sugestão sobre alterar radicalmente o quadro constitucional da República, de destruir o Colégio Eleitoral até compor a Corte de forma a eliminar a regra de 60% no Senado e estabelecer limites no mandato para juízes federais. Curiosamente, eles não mencionam os limites de mandato para o Congresso onde Joe Biden esteve por décadas.

Outra revelação veio quando Biden se esquivou da pergunta de Chris Wallace sobre conversar com o prefeito de Portland ou com o governador de Oregon para acabar com a violência por lá. E, claro, ficou sem saída e permaneceu em silêncio quando chegou a hora de indicar apenas uma organização policial que apoia sua campanha.

Trump escolheu focar na questão da lei e da ordem, cada vez mais um fator significativo para os eleitores indecisos, em particular para aqueles que vivem nos subúrbios.

O presidente Trump perdeu uma oportunidade de marcar pontos preciosos quando deixou passar em branco a ridícula acusação feita por Biden de que o presidente é contra os católicos irlandeses. Se o presidente Trump tivesse recuado silenciosamente e, ao modo de Ronald Reagan, simplesmente dito: "Por favor, diga isso a Amy Coney Barrett", teria sido o ponto do jogo, o xeque-mate. Biden e seus seguidores já estão trucidando e perseguindo esta mulher excepcional por sua fé e sua família.

O presidente Trump certamente reforçou a sua imagem de líder vigoroso, mas deixou a desejar no quesito educação. No entanto, grande parte da mídia se recusou a se concentrar, com igual zelo, no comportamento de Joe Biden, que chamou o presidente dos Estados Unidos, entre outras coisas, de mentiroso, palhaço, racista e estúpido. Então, ele lhe mandou "calar a boca". Ainda, depois disso, sua equipe foi capaz de falar em mais civilidade e menos divisão.

Restam dois debates. Neles, o presidente Trump poderá falar sobre seus sucessos tanto na política externa (indicado três vezes ao Prêmio Nobel nos últimos dias, caso alguém esteja sabendo) e na economia e detalhar seus planos para os próximos quatro anos.

Trump deve ser Trump. Ele também deve deixar Biden ser Biden. Como guerreiros de Sun Tzu a Napoleão Bonaparte nos disseram: "Nunca interrompa seu oponente quando ele está cometendo um erro."

 

 

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