Última flor do Lácio

Romana de Castro ensina a língua portuguesa

Por Romana de Castro 01/11/2020 - 14:54 hs

Olavo Bilac, em seu poema “Língua Portuguesa” , faz uma homenagem àquela que era motivo de orgulho e de admiração pelos seus povos. Em forma de soneto, o poema inicia-se com o seguinte verso: “Última flor do Lácio, inculta e bela”, o que se explica devido ao fato de a nossa língua ter sido a última língua neolatina que se formou a partir do dialeto falado por soldados no Lácio, região da Itália .


Lazio, Frosinone, Latina, Rieti, Rome, Viterbo, About Italy, The Italian  CookO PORTUGUÊS “BEM DIZIDO”?. “Cacetinho”, “pão careca” ou “pão… | by Larissa  Vasconcelos | Medium

 

Note-se que havia todo um capricho nas artes de até então. Todo um cuidado para expressar o nosso sublime sentimento e a nossa preciosa razão, presentes em cada ser humano. Havia um carinho especial pela nossa língua: a devida e justa consideração por aquela que é a principal responsável pela transmissão do conhecimento, e este, é claro, incalculável tesouro até mesmo para aqueles que fingem desprezá-lo.

 

Porém, talvez até mesmo por sua majestosa importância, veem-se, atualmente, inúmeras frentes que tentam – às vezes descaradamente, às vezes nas sombras – desfazer a estrutura da nossa língua, moldada e aperfeiçoada por séculos. Se as pessoas se atentarem um pouco, perceberão que tais tentativas de destruição são crimes contra a humanidade. Como o são todas as ações que visam pôr abaixo, em minutos, o que se levou anos ou décadas para serem construídos e que fazem parte da nossa história.

 

Por tudo que temos observado no cenário mundial em relação a esse rolo compressor que visa esmagar o nosso saber, este acumulado por milênios e representado pelas artes, cultura, costumes, etc, é que surgem outras frentes, estas com o propósito antagônico ao da devastação. Sim, meus caros leitores, a nossa finalidade é propagar a consciência de preservação de tudo que nos é muito valioso.

 

Nesse sentido, o Tribuna Diária propõe esta coluna quinzenal dedicada ao nosso amado idioma, o português, que já foi tema de apaixonados poemas e que merece voltar a ser destaque em nossas vidas. Abordaremos, de forma clara e bem-humorada, dicas sobre o bom uso da linguagem, nossa aliada nos mais diversos momentos de nossas vidas. Esperamos criar aqui um ambiente saudável de interação, onde haja a boa e velha troca de informações, que continuamente nos fortalecerá e nos guiará no caminho sensato.

 

Cabe, por último, lembrar que, sempre que verdadeiras e honestas intenções se juntam, as ações nesse sentido são como inúmeros pontos que se atraem e convergem para o propósito maior de eterna vigilância em defesa de nossa liberdade. Até o próximo encontro, meus amigos!


 

Romana de Castro

(Especialista em revisão de textos pela PUC/MG, , revisora e diagramadora de artigos científicos, revistas e livros)

 

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 Língua Portuguesa (Olavo Bilac)

 

Última flor do Lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura:

Ouro nativo, que na ganga impura

A bruta mina entre os cascalhos vela...

 

Amo-te assim, desconhecida e obscura,

Tuba de alto clangor, lira singela,

Que tens o trom e o silvo da procela,

E o arrolo da saudade e da ternura!

 

Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceano largo!

Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

 

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!",

E em que Camões chorou, no exílio amargo,

O gênio sem ventura e o amor sem brilho!


      Romana de Castro para o TD.