SOBRE NOBREZA E MATURIDADE

Ser tolerante não significa deixar crimes impunes, ou com aplicação de penas lassas e por isto injustas

Por Carlos Eduardo Fonseca Da Matta 16/02/2021 - 15:58 hs

A nobreza de espírito e a maturidade fazem-nos compreender que somos capazes de errar, que temos defeitos e faltas que devemos aprender a superar, por mais que estejamos sempre procurando evoluir.

Isto nos permite também ser tolerantes com as falhas e pecados de nossos irmãos.

Ser tolerante não significa deixar crimes impunes, ou com aplicação de penas lassas e por isto injustas, nem deixar de apontar e procurar corrigir erros alheios ou próprios.

Significa não partir de um pedestal de falsa e pretensa superioridade para julgar os demais como se fossem todos feras, bestas do mal.

Embora existam, sim, psicopatas, cujo tratamento deve ser adequado e firme para proteção da sociedade.

Há muito admirador do escravo liberto Phaedrus, tenho por hábito ler e estudar suas fábulas no original em latim.

 Sem dúvida, uma das mais belas e de profundo significado humano é a seguinte:

 

“Peras imposuit Iuppiter nobis duas:

propriis repletam vitiis post tergum dedit,

alienis ante pectus suspendit gravem.

Hac re videre nostra mala non possumus;

alii simul delinquunt, censores sumus.”

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Permitam-me tradução de sentido.

"Sacolas nos impôs Júpiter duas,

cheia de vícios próprios nos deu às costas,

de alheios à frente do peito nos pendurou pesada.

Conquanto nossos defeitos ver não possamos,

os demais assim que pecam imediatamente os censuramos.”

 

Tenho consciência de quanta dificuldade tenho em perceber meus próprios erros, embora a maturidade já me os tenha revelado muitos ...

 

Como ensina a Bíblia:

 

EVANGELIUM SECUNDUM MATTHAEUM

7

1 Nolite iudicare, ut non iudice mini;

2 in quo enim iudicio iudicaveritis, iudicabimini, et in qua mensura mensi fueritis, metietur vobis.

3 Quid autem vides festucam in oculo fratris tui, et trabem in oculo tuo non vides?

4 Aut quomodo dices fratri tuo: “Sine, eiciam festucam de oculo tuo”, et ecce trabes est in oculo tuo?

5 Hypocrita, eice primum trabem de oculo tuo, et tunc videbis eicere festucam de oculo fratris tui.

 

São Mateus, 7

1 “Não julgueis, e não sereis julgados.

2 Porque do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos.

3 Por que olhas a palha que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu?

4 Como ousas dizer a teu irmão: Deixa-me tirar a palha do teu olho, quando tens uma trave no teu?

5 Hipócrita! Tira primeiro a trave de teu olho e assim verás para tirar a palha do olho do teu irmão.

  

UMA CONVERSA DE PAI PRA FILHO Carlos Eduardo Fonseca Da Matta


Procurador de Justiça do MPSP - membro da Associação MP Pro-Sociedade