ENTRE DEMOCRACIA E LIBERDADE –III

Porte de Armas: EUA vs. Brasil

Por JOSÉ STELLE 21/03/2021 - 16:52 hs

Nos artigos I e II desta série, explicamos que a campanha pelo desarmamento das populações faz parte da estratégia do Comintern / Internacional Socialista em escala mundial. Todos os regimes despóticos temem uma população armada; porém, os  caudilhos de praxe (Somoza, Mobutu, Idi Amin, Saddam Hussein, e outros) não contam. O que salta aos olhos, nos tempos recentes, é a ênfase dada pelo movimento socialista à “necessidade” de desarmar o cidadão comum dos países mais desenvolvidos.

 


Estudemos um aspecto específico e relevante dessa guerra cultural, aplicável também à situação brasileira. Nos Estados Unidos, onde a posse e o porte de armas tem sido garantido pela Constituição, os ataques a esse aspecto da liberdade do cidadão e da cultura americana tem acompanhado o avanço da ideologia socialista em todos os aspectos da vida americana – nas escolas; na mídia; nas artes; entre os partidos políticos, assim chamados. A desculpa oferecida é a previsível e aparentemente lógica: como as armas de fogo são usadas para cometer crime, inclusive homicídio, limites à produção, comercialização e posse de armas contribuem para a “justiça social” e a “paz”. Os estudos feitos por sociólogos, economistas e criminólogos nas últimas décadas mostram o oposto. Cito aqui, superficialmente, em resumo, alguns pontos principais contrários às afirmações do movimento pelo registro e redução da posse e porte de armas de fogo nos EUA (e no Brasil).



  O HOMEM DO RIFLE THE RIFLEMAN ep03 Arma de um Pistoleiro HD - YouTube

1.  

  Taxas mais elevadas de posse de armas não estão associadas a taxas mais elevadas de crimes violentos. Ocorre o contrário. O número de crimes violentos (roubos, homicídios, estupros, etc.) aumentou rapidamente nos países que restringiram a posse de armas (Reino Unido, Irlanda e Austrália, entre outros). Por outro lado, os países em que a posse de armas é praticamente ubíquo (Israel, Suíça, e EUA) tem os níveis mais baixos de criminalidade cometida com armas de fogo. O Canadá, que ocupa o décimo segundo lugar em densidade de armas entre a população, tem o mais baixo nível de criminalidade em todo o mundo.    

 

2.   Não há relação clara entre legislação anti-armas e taxas de crimes cometidos com armas de fogo. Por exemplo, o número de armas de fogo nos EUA (392 milhões em 2000; maior após a eleição de Obama e de Biden) não tem relação com as taxas de homicídio. Os estados que tem a legislação mais liberal sobre posse e porte de armas (New Hampshire, Vermont, Idaho e Oregon) tem as taxas mais baixas de homicídio e de crime violento no país.

 

3.   Ao contário do que se imagina, a posse de “armas de assalto” (como rifles e metralhadoras) não tem relação com  a taxa de criminalidade. Mais pessoas são mortas todo ano nos EUA por facadas e violência corporal do que por uso de rifles e metralhadoras. 

 

4.   Das 30.000 pessoas que morem nos EUA anualmente  pelo uso de armas de fogo, dois terços são suicídios. Os demais são mortos por criminosos (geralmente conhecidos pela polícia e soltos por uma razão ou outra), que usam armas ilegais, não registradas.

 

Outras facetas do problema, dizem os pesquisadores, tem a ver com o bairro onde a pessoa reside (a grande maioria dos crimes violentos são cometidos nos locais em que os governos municipais abdicaram o seu dever de defender o cidadão, deixando o crime organizado tomar conta); a pessoa com quem alguém (geralmente a mulher dependente) vive; os mentalmente  desequilibrados; e assim por diante.

 

Em suma, a ideia de que a restrição à posse e ao porte de armas reduz as taxas de criminalidade, levando à “paz”, não tem fundamento. No entanto, se eu fosse socialista, eu pregaria e repetiria essa ideia, a fim de levar o povo ao que Hayek denominou “o caminho da servidão”. Mas não culpo os socialistas por fazerem o que  fazem.

 

O difícil momento histórico que o Brasil e o mundo ocidental atravessam não será afastado por ataques “reacionários” à ideologia socialista. Para resolver em definitivo esse problema, urge o desenvolvimento de uma nova energia mental em cada pessoa dedicada à sua liberdade constitucional – primeiro pela educação integral da alma humana, e, sendo isso impossível, por meios condizentes com a sobrevivência e a liberdade a qualquer custo. Avante, Brasil!

 

   JOSÉ STELLE

.Phil., International Studies. Visiting Fellow, University of Buckingham, UK.