MEMÓRIAS DA EMILIA

O milagre do amor insubordinado

Por MARIA EMILIA GADELHA 09/05/2021 - 11:35 hs

 

Faz tempo que não escrevo "minhas memórias"...hoje deu vontade. Nesses tempos difíceis e desafiadores, vale a pena relembrar o milagre da vida, ligado intrinsecamente à natureza feminina. Comemorar o Dia das Mães em 2021 não é para fracos.

 

Não é fácil ser mulher, mesmo nos dias “modernos”.

E é lindo ser mulher, mesmo nos dias “modernos”.

Nós, mulheres, quando manifestamos o “upgrade MÃE”, nos tornamos diferentes.

Nós, mulheres, quando manifestamos o “upgrade MÃE”, nos tornamos melhores.

Nós, mulheres, quando manifestamos o “upgrade MÃE”, nos tornamos plenas, ainda que isso pareça romântico e piegas.

 

Somos capazes de enfrentar, superar e esquecer a dor do parto normal.

Somos capazes de não dormir durante dias a fio, “vigiando” o pequeno ser recém-chegado.

Somos capazes de resistir à dor de uma mama ferida (que dor!) pela decisão de continuar amamentando o filhote.

Somos capazes de aprender novos idiomas, de forma criativa, apenas para ajudar aquele pequeno ser desesperado que nos pede ajuda.

Somos capazes de reinventar e suportar a nova rotina que a existência de uma criança exige.

Nos tornamos capazes de amar de verdade. Este é um privilégio sem tamanho.

 

Quando ouço uma paciente me dizer que não quer ter filhos, respeito. E internamente sinto e me pergunto: “Quantas emoções ela deixará de sentir...será que se soubesse disso, decidiria assim mesmo?...”. Pergunta sem resposta.

 

Em tempos dominados por um vírus “rebelde”, os países com melhores resultados na gestão da crise decorrente são os liderados por mulheres. Por que será?...

 

A contaminação ambiental desenfreada tem ajudado a gerar crianças autistas. Até quando?

A vacinação sem necessidade (falo da vacina anti-HPV) tem gerado uma legião de adolescentes doentes, antes crianças saudáveis. Até quando ?

Falando dessas duas situações, cada vez mais frequentes: muitas vezes já presenciei pais (homens) se retirando do “front”, desistindo de cuidar e deixando (adivinhem para QUEM?...) para as mães a tarefa hercúlea de lidar com crianças sem autonomia e com futuro incerto. Elas, as mães, são admiráveis. São lindas. São fortes. São sofridas. Não desistem. São mulheres. É claro que conheço alguns homens (os “Homens”) que não fogem à luta. Mas são poucos, infelizmente.

 

A verdade é que o AMOR é uma força avassaladora que é incorporada às mulheres ao longo dos 9 meses da gravidez e que atinge seu máximo (se é que é o máximo) no momento do primeiro olhar. Ver um filho pela primeira vez, sentir seu cheiro, tocar sua pele macia, ouvir o primeiro choro, amamentar a primeira vez, não tem preço. É quase indescritível. É algo de sublime. É literalmente a manifestação de Deus mais próxima que temos. É a vida se manifestando, se perpetuando, se renovando em cada novo ser.

 

Ter a mãe presente ao longo do seu desenvolvimento é um presente precioso. A minha “original”, Rita de Cássia, se foi aos 39 anos, precoce e abruptamente. Na ocasião eu tinha 17 anos, estava no 1º. ano da Medicina. Isso seguramente me tornou uma “sobrevivente”, capaz de enfrentar muitas situações críticas. Foi um treinamento de guerra. A minha mãe fez muita falta, muita mesmo. Aí a vida me presenteou com uma outra mãe, Marilda, a minha “Marildinha”, que veio com um pacote familiar completo formado pelo Renato (meu “PaiPai”), Lulu e Janete. Foram anos de convivência que sempre aqueceram meu coração e continuam aquecendo até hoje. Foram meu porto seguro em épocas adversas, que felizmente ficaram no passado. Depois vieram Gian Marco e Chiara. Sou sortuda e tive mais uma mãe, minha querida Do Carmo, minha paraense predileta e favorita.

 

Sou profundamente grata a Deus por ter tido a oportunidade de ter dois filhos “oficiais”, dois meninos ímpares, Nicolau e Alberto. Aprendi e aprendo diariamente com eles. Cometi e cometo muitos erros na educação deles, mas principalmente muitos acertos.  No entanto, acho que o amor que tenho pela humanidade “extravasa”, é “insubordinado”...rs. Tenho muitos “filhos”. Não consigo deixar de cuidar de uma pessoa doente, de um animal necessitado, dos amigos (poucos) e colegas (muitos), dos meus alunos médicos. Ajudar a formar um médico novo, abrir seus horizontes para uma “nova” Medicina é de certa forma um ato maternal. Exige cuidado, dedicação, atenção. Exige muito amor. Defender as meninas sequeladas pela vacina anti-HPV no Acre é fruto da minha maternidade insubordinada. São minhas filhas também. Poderiam ser minhas filhas, se houvera tido meninas. Sem falar no “filho” imaterial, gasoso...rs. Meu querido Ozônio Medicinal, que tanto bem faz a tanta gente. Em resumo: o amor cura. E o amor feminino aprendemos com nossas mães. Simples assim.

 

Meu desejo é que aprendamos a valorizar as mães, a maternidade.

Que aprendamos a reverenciar as mulheres do nosso convívio.

Que possamos sentir a força da natureza manifestada em nós, Mulheres.

E que consigamos principalmente agradecer pela presença de Deus em nossas vidas, hoje e sempre. Insubordinadamente!


 MARIA EMILIA GADELHA 


Médica, cientista e colunista do Tribuna Diária!

De Perito e Jornalista investigativo, todo mundo tem um pouco...