PSICOPATAS E O PERDÃO CRISTÃO.

Perdão, se apenas por absurda hipótese seria cogitável, é algo que pertencerá a Deus, quando eles partirem ...

Por Carlos Eduardo Fonseca Da Matta 02/07/2021 - 19:43 hs

Desde criança sempre preocupei-me com o aparente conflito entre o dever de perdoar, aprendido na igreja e no texto bíblico, e alegria natural de ver os maus sofrerem justo e severo castigo.

 

Haver, depois de maduro, compreendido o que significa a psicopatia fez-me conciliar tais sentimentos.

 

Tenho que o perdão, assim como ensina a Bíblia, só deve ser concedido por Deus a quem genuinamente arrepende-se do mal perpetrado, sem prejuízo de sua justa punição.

 

Corruptos, muito especialmente os ladrões que contribuíram para desviar bilhões do dinheiro de nosso pobre e sofrido povo, merecem gravíssima punição.

 

Raramente é possível neles vislumbrar o mais remoto sinal de arrependimento, algo, aliás, que psicopatas jamais sentem.

 

Seu arrependimento ocorre apenas quando são presos, e o motivo do arrependimento é a prisão, jamais a grave ofensa que novamente cometerão assim que a oportunidade se lhes apresentar.

 

Psicopatas em essência são a personificação do mal.

 

Não há que perdoá-los mas sim puni-los com firmeza por todo o mal que causam sempre e reiteradamente à humanidade.

 

Perdão, se apenas por absurda hipótese seria cogitável, é algo que pertencerá a Deus, quando eles partirem ...

 

Mas nem Cristo perdoou o mau ladrão na cruz.

 

Daí é lícito dizer que a religião cristã é perfeitamente compatível com tratamento firme, duro, severo com os maus.

 

Todo e qualquer ato de concessão a agentes do mal é visto apenas como um ato de fraqueza, a desafiar ainda mais graves acintes e agressões.

 

Todo e qualquer perdão a psicopatas, por definição incapazes de remorso, será para eles oportunidade de perpetrar novos crimes.

 

Não há ilogicismo, contradição ou incompatibilidade entre a valorização do perdão e a firmeza que é necessária para lidar com psicopatas.

 

Perdão é virtude que pode e deve ser aplicada a pessoas em geral, e que pressupõe arrependimento e vontade sincera de não reincidir no erro ou pecado.

 

Psicopatas, a seu turno, jamais arrependem-se do mal que perpetraram, mas apenas de haverem sido descobertos ou punidos, situação incompatível com a benesse do indulgência ou misericórdia.

 

Casos como o de assassinos seriais, estupradores seriais, de sequestradores, de radicais que assassinam pessoas a esmo nas ruas (hoje em dia comum por supostos “fanáticos religiosos”), como de tantos outros psicopatas, servem para demonstrar clara e objetivamente a intensa maldade e perversidade de alguns.

 

Com monstros assim (considerado o termo como designativo da extensão e intensidade de sua maldade, crueldade, perversidade) somente o uso da força, em muitos casos extrema, é eficiente.

 

Não compreendem bondade, que tomam por fraqueza; não compreendem perdão, que tomam por frouxidão.

 

Só compreendem e temem o emprego de força capaz de dominá-los, feri-los, ou de neutralizá-los, em situação de ameaça à vida ou à saúde própria ou de terceiros.

 

E isto é o que é essencial fazer para defesa da sociedade e das pessoas do bem.


 CARLOS EDUARDO FONSECA DA MATTA

Procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo, membro da Associação Ministério Público Pro-Sociedade

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