O DIA EM QUE A URNA PAROU

O 1º de agosto que entrou para a história!

Por Sileno C Guimarães 02/08/2021 - 15:08 hs

Diante de uma escolta de pouco menos que cinquenta homens à beira de um barranco perdido na curva do rio Ipiranga em 7 de setembro de 1822, um homem fez sua voz ecoar para além das brumas da história, ao jurar:

“Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro promover a liberdade do Brasil. Independência ou Morte!".

Ainda que tanto tenha mudado no curso político da nação, nunca, houve quem ousasse negar essa sentença até agora.

A liberdade, inegociável, inarredável, filha da coragem e mãe do estado democrático de direito, prevalece na vontade soberana de um povo orgulhoso e independente, que foi às ruas, aos milhões, por todos as curvas de rios da pátria, exigir que se cumpra estritamente a sua vontade!

Não, o estado não é o tutor da nação!

Basta, togas e diplomas legislativos não representam o povo e não são as instituições democráticas, mas tão somente a obediência fiel dos vassalos que as ocupam, à vontade geral do povo a quem representam, que pode valer-se em nome da democracia!

 

 

 

No 1º de agosto de 2021, as vozes de milhões de brasileiros responderam em uníssono ao chamado daqueles patriotas que ouviram essas doces palavras em 1822. Nunca, tantos foram os testemunhos de fé na verdade inabalável de que o Brasil de fato, honrou aquele que o fez de jura.

 

 

Ruas, praças, a esplanada dos ministérios tomadas por essa brava gente, tiveram seu solo coberto pelas cores da bandeira e nunca, o verde e o amarelo simbolizaram com tanta pujança a verdadeira riqueza e a imensurável esperança desta nação.

 

Não, não se via ali, o clamor desesperado dos que sucumbem à mão pesada de ditadores, como na trôpega ilha dos Castro. O que presenciamos foi a força incontestável de um povo que não admite afagos e acordos de soleira política de partidos que nos contrariem em nossa vontade soberana.

 

O recado nunca foi tão claro!

Os brasileiros não admitirão das “autoridades” em compadrios, que se lhe mordam a mão que as alimenta e deixou muito claro - para quem ver e ouvir, com o juízo possa - que, nas palavras do mais fiel de todos os brasileiros, José Bonifácio: “O momento não comporta mais delongas ou condescendências.”

 

Sim, condescendência é o termo apropriado, que estalou nas ruas como que um chicote arrancado das dobras do tempo, para restar cristalino do enredo narrado pelo Presidente- na sua Live das quintas-feiras- tornar-se-ia mais do que os assentimento aos sentimentos ou às vontades de outrem.

 

Se o Chefe da nação não apresentou mais do que conjecturas e ilações sobre a transparência do nosso processo eleitoral, também é verdade que – por não serem as tais urnas auditáveis – resta claro, pelo princípio da transparência, que prova mais cabal não poderia haver.

 

Como que presos às páginas de Dom Casmurro, tornamo-nos os “Bentinhos” torturados pela eterna incerteza sobre o adultério da nossa Capitolina (Capitu) eleitoreira, travestida em urna eletrônica.

 

Pois eu “vos acuso”, acuso todos os partidos que tramam contra a vontade do povo, de mais do que uma simples condescendência, pela pratica da condescendência criminosa!

Quando o silencio beneficia o crime praticado por funcionário público contra a administração, ao deixar, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente! E uso contra todos os autores, caso neguem a acusação, suas próprias dúvidas, quando não lhes parecia tão conveniente se calarem...

Ou vamos negar, tucanos, que vocês mesmos questionaram a lisura das votações na disputa entre a ex “presidenta” e seu senador, ora rebaixado moral e politicamente?

O partido dizia então, que “a confiabilidade da apuração e a infalibilidade da urna eletrônica estavam sendo colocadas em xeque nas redes sociais e que seria preciso dar uma resposta à população”.

Na época, o relatório tucano também recomendava ao TSE, a adoção do voto impresso acoplado à urna eletrônica “para que exista uma forma alternativa de contabilidade de votos”.

Deveremos nos esquecer de que a presidente Dilma Rousseff promulgou a lei determinando a impressão do voto na urna eletrônica, publicada em 2015 no "Diário Oficial da União"?

Que foram, à época, 433 votos a 7 e 2 abstenções, que saíram desta casa em favor da “democracia que deve garantir a cada cidadão que o seu legítimo voto esteja sendo computado”, segundo a então deputada Clarissa Garotinho?

 Ressalte-se que a espontaneidade popular registrada ontem na Paulista, com brados de “Daniel Livre” deixou bem claro aos desavisados tomados pela conveniência da amnésia política, que o povo, no jargão mais reto e popular, não esquece a tal “trairagem” e será bem difícil para os “traíras”, mendigar para o povo, o voto nas próximas eleições, em urnas não auditáveis.