NINGUÉM É DONO DA VERDADE!

Luís Roberto Barroso, ministro do STF, afirmou que incentivar "posições anticientíficas" extrapola os limites da liberdade de expressão.


Luís Roberto Barroso, ministro do STF, afirmou que incentivar "posições anticientíficas" extrapola os limites da liberdade de expressão.


Como eu já havia ponderado em mensagens públicas em Twitter (@cefmatta):

"Ignorantes do conceito de ciência usam o termo como se fossem donos da verdade.

São pessoas inescrupulosas procurando obter alguma vantagem política ou ganho ilícito.

O conhecimento derivado do método científico pressupõe questionamento constante, testes e reprodutibilidade."


‘Se a “suposta” ciência não pode ser questionada sob pena de censura da liberdade de expressão, perseguição pessoal, isto não pode ser considerado ciência, mas ideologia, narrativa totalitária, imposta e incapaz de manter-se por seus próprios méritos, senão por torpe repressão.’


‘Em ciência sempre é permitido questionar, argumentar.

Ensaios são realizados sob parâmetros rigorosos, adequados.

Resultados levam a conclusões que permitem evoluir na compreensão de temas.

Sob totalitarismo sanitário qualquer questionamento é objeto de censura e cancelamento.’


‘Não cabe a órgãos de Justiça, quer sejam do Ministério Público ou do Judiciário, interferir no debate médico, científico, por via de procedimentos e ações judiciais para inibi-lo.

Mais ainda em temas de saúde e de salvar vidas.

O oposto é a seara do totalitarismo obscurantista.’


‘”O trabalho da ciência nada tem a ver com consenso. 

Consenso é assunto da política.”

(Michael Crichton)

Quantos temas já não foram objeto de consenso, ou quase unanimidade de supostas doutas opiniões, para depois serem demonstrados falsos ou dúbios em exame mais aprofundado ...’


Ninguém é dono da verdade. 

Aliás, a "verdade" é algo que possui múltiplos prismas e aspectos dos quais tomamos conhecimento muita vez apenas de pouco a pouco. 

Muitas coisas são tão complexas que levamos anos ou décadas para compreendê-las um pouco melhor.

Neste caminho não raro percebemos que estávamos equivocados quanto a especificidades que antes pareciam claras.

O que nos resta é permanecer de mente aberta, sempre inquisidora, sempre a questionar, sempre pronta a superar noções mal formuladas, mal compreendidas.

Só podemos agir de acordo com o que compreendemos em determinado momento.

O que nos socorre é a boa vontade, aliada à cautela de nunca aceitar fazer mal, de sempre procurar dedicar tempo necessário para pesquisar e procurar entender aspectos importantes de temas quanto aos quais devamos decidir.

É preciso respeitar limites, respeitar nossos irmãos, nossos pares, suas decisões, suas opções.

Agir nos limites da capacidade e dos deveres de cada um.

Se enxergamos o mal, devemos apontá-lo, porque a omissão é pecado grave.

Sempre de acordo com o chamado princípio de ouro, de muitas religiões e culturas, consignado expressamente no mandamento bíblico:

“Omnia ergo, quaecumque vultis ut faciant vobis homines, ita et vos facite eis” (Evangelium secundum Matthaeum, 7:12).

Ou: tudo aquilo que gostarias que a ti fizessem as pessoas, assim faça a eles; ou em fórmula mais conhecida: faça aos outros o que você deseja que eles façam a você.

Mas cada um age apenas dentro da esfera de sua competência, de seus limites.

O próximo poderá decidir de outro modo.

Minha consciência acalma-se ante a noção de que faço aquilo que posso.

Carlos Eduardo Fonseca Da Matta

Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo e membro da Associação MP Pro-Sociedade.