ALTA CULTURA - GRANDES NOMES DA MÚSICA CLÁSSICA BRASILEIRA

As valsas de Francisco Mignone (1897 – 1986)

Por Maestro Roberto de Souza Barros Kalili 24/10/2021 - 14:58 hs

Talvez o leitor mais atento tenha reparado que a cada geração os homens (outrora cavalheiros), se apresentam menos elegantes, menos másculos, menos responsáveis; e as damas cada vez menos recatadas, menos femininas, menos discretas, menos prendadas. Chegamos ao ponto em que os senhores são chamados “galerinha” – como se fossem crianças em um playground, e agem como tal, incapazes de constituir, sustentar e muito menos defender uma família; e as senhoras são tratadas como “mulherada” – como se fossem profissionais autônomas da mais antiga profissão do mundo. Este desvio degenerativo tem natureza binária e principia na estrutura da base do cérebro, prosseguindo através do ouvido interno: é o “centro de equilíbrio”. Para que possamos fortalecer corretamente esta estrutura é necessário andar e dançar em três, contando seus passos como em uma valsa. Talvez a mais importante manifestação cultural em tempos antigos – a valsa brasileira, ou valsa choro, dança sutil e refinada, elegante e agradável. Existe uma razão extra para adotarmos um ritmo vienense (valsa), uma parceria que escapou da atenção dos nossos professores de história: Dom João armou o exército austríaco e com ele emboscou as tropas de Napoleão quando se retiravam de Moscou, vencendo-o.




O Brasil teve grandes compositores de valsa, algumas das melhores são as “valsas de esquina”, de Francisco Mignone (1897 – 1986); além de ser um exímio compositor clássico também foi um grande sucesso no chorinho, assinando como Chico Bororó. Um completo representante da música brasileira, tanto na alta roda (apresentando suas peças clássicas regidas por maestros como Richard Strauss e a Orquestra Filarmônica de Viena) quanto na boemia do Brás, ao lado dos mestres da “velha guarda do choro”. Apresento aqui duas valsas de Mignone, uma escrita para cada público, para melhor representar as faces da nossa música nos anos 1920/1930; ao comparar seu trabalho com a música brasileira atual, nos sentimos mais pobres e rudes: