RESPEITO E DIREITOS IGUAIS

Hoje em dia não há nada que uma mulher queira fazer que ela seja proibida apenas por ser mulher.

Por ANDRESSA MARQUES PARA O TRIBUNA DIÁRIA 10/11/2021 - 22:33 hs

 

Em 1827 as mulheres brasileiras passaram a ter o direito de frequentar a escola. Durante o governo de Getúlio Vargas, no dia 24 de fevereiro de 1932, as mulheres passaram a ter o direito ao voto. Em 1951 é aprovada pela organização internacional do trabalho, a igualdade de remuneração entre trabalho masculino e feminino para função igual. 

Quão grandes foram as mudanças no mundo. Antigamente os trabalhos eram mais braçais, então se implementou uma convenção social em que os homens iriam ao trabalho remunerado, e as mulheres cuidariam de sua prole e da casa. Os tempos mudaram, e cada vez mais serviços braçais foram se fazendo menos necessários, e começou a haver um interesse maior da parte das mulheres a terem mais representatividade na sociedade.

Hoje em dia não há nada que uma mulher queira fazer que ela seja proibida apenas por ser mulher. Os tempos mudaram e as mulheres ocuparam todos os espaços.

 algumas linhas de pensamento que dizem que ainda nos dias de hoje as mulheres ganham menos, e ainda existe um tratamento diferente e desigual. A retórica de que é mais fácil ser homem, pois os homens não têm que se preocupar com a beleza e nem com a segurança nas ruas, e que culturalmente os homens não precisam se preocupar com seus filhos e com a casa.



Existe alguns extremos onde o discurso é mais radical contra os homens dizendo que todos eles são agressores e abusadores em potencial, que em nosso país existe a cultura do estupro, que os homens não podem sequer falar sobre o tema sem a presença de uma mulher, ou que seria inadmissível interromper a fala de uma mulher em um debate ou em uma conversa.

Vemos também a ideia de que a sociedade trata de estereotipar as crianças. Ou seja, menina gosta disso, e menino daquilo. E que talvez isso não seja natural e sim imposto por uma sociedade sexista. 

Em contra partida há quem diga que a desigualdade de gênero é consuetudinária. E que o que acontece é de ordem biológica, que os homens têm uma pré-disposição genética para determinadas funções e mulheres para outras.

Alguns pensam que as mulheres devem aceitar de bom grado o assédio sexual, ou serem diminuídas, silenciadas simplesmente por serem mulheres.

Atualmente estamos lidando com um debate ferrenho também sobre ideologia de gênero. Ideologia de gênero é basicamente uma pessoa poder dizer que é aquilo que ela acha que é, não se pautando pelas questões biológicas, mas pelo sentimento e visão que ela tem de si mesma. Existe um debate também neste sentido, entre se deve-se abordar este assunto dentro das escolas do ensino básico ou não.

São teorias: feministas, machistas, sexistas. Mas quem será que está certo? Será que existem respostas para problemáticas tão complexas?

              Presença feminina na educação é maior que a masculina, mas salários são  inferiores | Mais Bolsas                                                                                                            

Segundo o IBGE entre a população de 25 anos, as mulheres são maioria dos que possuem ensino superior completo, 23,5% são mulheres e 20,7% são homens. Ou seja, se é que existe descriminação sexista dentro das escolas, isso não tem refletido em seu resultado efetivo. Inclusive os homens precisam se esforçar um pouco mais para alcançar as mulheres na área acadêmica.

Sobre futebol que é culturalmente um esporte para homens, Emily Lima que é ex técnica da seleção, expõe alguns fatores que explicam a falta de destaque na audiência do futebol feminino. Um dos fatores era o fator tático que segundo ela era desorganizado, o que segundo ela tem mudado bastante de um tempo para cá e por isso tem estado em maior evidência hoje do que um tempo atrás. Outro fator por Emily citado é a questão fisiológica, de força, por mais treino que exista as mulheres não são iguais aos homens neste sentido, porém segundo ela isso não torna o futebol feminino inferior ao masculino. Nos últimos tempos o futebol feminino tem crescido e ganhado grande destaque, principalmente no Brasil onde temos uma melhor jogadora do mundo que ganhou seis vezes esse prêmio. 

Mas se funções antes denominadas “para homens” estão em grande ascensão, e comparado com os homens o nível de escolaridade está até acima que o dos homens, porque segundo o IBGE as mulheres de 25 a 29 anos ganham 87% do que o que os homens ganham, e essa porcentagem só diminui enquanto as mulheres avançam em idade? Segundo Daiane costa do jornal “O Globo”, existem dois fatores que explicam esta disparidade salarial entre homens e mulheres. A primeira e mais óbvia é a maternidade, muitas mulheres optam por parar de trabalhar para se dedicarem aos filhos, e quando retornam ao mercado de trabalho encontram mais dificuldade em voltar a ter o mesmo salário. Muitas optam por empregos de meio período, para que posam dar mais atenção aos membros da família. O segundo fator é que as mulheres ocupam menos os cargos de chefia, o que deve mudar em um futuro próximo pois as mulheres estão mais escolarizadas e muitas já possuem planos estratégicos para ter filhos e não precisarem abandonar seus cargos.

As mulheres são tão livres quanto os homens, e se algumas delas tem o sonho de serem mães e de desfrutar 100% deste tempo, por que não? As mulheres que querem se dedicar à maternidade são tão livres e tão mulheres quanto às que querem se dedicar 100% à carreira.

Seria então tão necessário, desesperadoramente urgente e importante abordar em salas de aula do ensino básico assuntos como desigualdade de gênero e ideologia de gênero?


Como você irá passar o Dia dos Namorados? Faça o teste e descubra!


Segundo as fases do desenvolvimento criado por Jean Piaget, é só depois dos 18 a 21 anos que se chega ao ápice do desenvolvimento de estruturas físicas, cognitivas, morais, sociais, de autonomia de pensamento e desenvolvimento afetivo (emocional). 

A discussão e o pensamento sobre ideologia de gênero, é um assunto profundo, que exige uma maturidade física, emocional, cognitiva, moral, social e autônoma que alguém que está cursando o ensino básico ainda não possui. Vamos aos fatos da seriedade deste tema.

                                                                                 

Algumas pessoas decidem mudar biologicamente de sexo por conta da ideologia de gênero. Em declarações ao jornal britânico “The Telegraph”, o Dr. Miroslav Djordjevic, que é um especialista renomado em cirurgia genital reconstrutiva, diz que diversos de seus pacientes transexuais se arrependeram de terem feito a cirurgia, esse tema é extremamente polêmico entre os adultos. Como vamos inserir na cabeça de crianças e adolescentes um tema ainda tão controverso e sem bases científicas? O fato é este: a ideologia de gênero é um tema profundo e controverso que crianças e adolescentes não têm maturidade cognitiva para aprender sobre, muito menos autonomia para decidirem sobre seu próprio corpo. Esse tema deve ser discutido se preciso entre a criança e adolescente com seus tutores legais e não com professores do ensino fundamental e médio. Até mesmo tutores legais podem tomar decisões equivocadas como aconteceu com o trágico caso do menino Ruan. Ou seja, é um tema muito delicado e é aconselhável que se aborde este tema entre pessoas maduras.

Será que faz sentido seguir lutando por direitos já conquistados? E se a luta não é por direitos iguais, sobre o que seria essa luta?

Começaremos com uma lei importante que garante que a mulher não seja desrespeitada em seu ambiente de trabalho, ou em qualquer outro lugar que é a Lei da Importunação Sexual (13.718/2018) entrou em vigor e define como crime a realização de ato libidinoso na presença de alguém e sem seu consentimento. Outra lei de extrema importância que garante a integridade da mulher é a Lei Maria da Penha (11.340/06) é a principal legislação do Brasil de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica.

Sobre igualdade de gênero nós temos na constituição federal brasileira de 1988: “Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;” 

Estamos protegidos pela lei também contra qualquer tipo de preconceito na constituição federal de 1988 que determina no Art. 3º, inciso XLI que "Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação; e no Art. 5º, inciso XLI, que “a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais".

Por incrível que pareça temos leis que protegem as mulheres contra o assédio, mas não temos no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) nada que assegure uma possível prevenção contra abusos, ou conteúdos impróprios. Temos apenas os arts. 240 e 241 da Lei nº 8.069. de 13 de julho de 1990, que combate à produção, venda e distribuição de pornografia infantil, bem como criminalizar a aquisição e a posse de tal material e outras condutas relacionadas à pedofilia na internet. Porém não é considerado crime se a intenção do material não for explicitamente praticar ato libidinoso com o menor. Existe uma lacuna na lei a ser trabalhada.

 

Infelizmente também não existem leis tão especificas sobre alunos que são expostos a conteúdos impróprios dentro da escola, mas o aluno tem o direito de processar o professor por se sentir envergonhado, ridicularizado, traumatizado ou exposto.

 Jean Jacques Rousseau - Home | Facebook

Rousseau disse que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe, e acredito que quem trabalha ferrenhamente para que as bases tradicionais sejam extirpadas acompanhe esta linha de raciocínio. Porém sou obrigada a discordar de Rousseau. Muitas das bases tradicionais da sociedade não foram criadas para corromper o ser humano, e sim para proteger a vida humana. Os homens na antiguidade não saíam para caçar e deixavam mulher e filhos em casa para mostrar o quanto eles eram superiores, eles faziam isso para proteger sua mulher e filhos. As mulheres não têm um impulso em largar tudo para cuidar de seu bebê porque isso lhes foi imposto, elas fazem isso por um amor empírico, e quem é capaz de contestá-las por isso?

Eu sei quem é capaz de contestar as bases tradicionais familiares mesmo sendo até hoje a forma mais natural da vida humana se perpetuar. 

Uma das principais ideias de Immanuel Kant é o imperativo categórico bem expresso na seguinte frese dele: “age de tal modo a utilizar a natureza e as pessoas como fim e nunca como meio”, ou seja, segundo Kant, jamais devemos usar as pessoas para atingir nossos objetivos e essa máxima de Kant é completamente desrespeitada por Karl Marx. A desconstrução familiar ou exatamente como disse Karl Marx e Friedrich Engels no manifesto comunista que escreveram: “a abolição da família tradicional” se fazia extremamente necessária para que esse plano político desse certo. Para Marx e Engels os fins justificam os meios, e é por isso que mulheres e homossexuais, que são cidadãos dignos, muitas vezes são usados como plataforma política.


Poet'anarquista: «O PRÍNCIPE», DE NICOLAU MAQUIAVEL


Maquiavel fundou a política moderna que diz que a política é a arte de conquistar e manter o poder. Compartilho muito mais com a ideia da política antiga de Platão, que dizia que a política é a arte de viver bem em sociedade.

Respeito precisa-se – Helena Barbas

Em suma, viver bem em sociedade tem a ver com uma simples palavra, e essa palavra é o respeito. Não precisamos ser iguais, tudo bem alguém obter mais riqueza do que eu, tudo bem alguém fazer algo que está dentro da lei, mas que eu discorde. Tudo bem expressarmos nossas opiniões. A sociedade entra em colapso quando alguém começa a querer impor que as mulheres todas sejam feministas ou machistas, ou impor que todo homem não presta, que a família tradicional é um câncer, e que meus filhos aprendam na escola que os órgãos genitais deles não querem dizer nada, impor que todos tenham a mesma religião, ou que sejam ateus. O certo é que cada um de nós defendamos nossos ideais sem desrespeitar o próximo e sem impor nossas ideias. O certo é respeitar os espaços, ter bom senso quanto as etapas cognitivas de cada idade, e viver em harmonia com nossas diferenças. Vamos respeitas os homens, as mulheres, os que tem outra opção sexual, independente de suas crenças, ideologias, vestuário, classe social, costumes e modo de viver. Podemos expressar nossas opiniões sem impor ou desrespeitar as pessoas.

Concluímos então que muitas das ideias modernas, não são científicas. Se pensarmos de uma forma racional e empírica, perceberemos fatos que derrubam imaginários que nos impedem muitas vezes de andarmos pelo caminho do respeito e do bom senso. Provavelmente sempre teremos que lidar com a desigualdade, e respeitar aquele que é diferente de nós. 

Ao invés de assumirmos um papel de vítima da sociedade, temos todos a opção de nos esforçarmos e mostrarmos onde somos capazes de chegar mesmo tendo limitações. Ao invés de nos apoiarmos nas disparidades, desigualdades e dificuldades da vida, podemos muito bem nos superar. Se queremos ser melhores em algo temos a lei que nos garante oportunidades iguais, cabe a nós nos esforçarmos para atingirmos nossos objetivos sociais, políticos, acadêmicos e profissionais.