ALTA CULTURA - GRANDES NOMES DA MÚSICA CLÁSSICA BRASILEIRA

Glauco Velasquez e o Ouro Perdido do Imperador

Por Maestro Roberto de Souza Barros Kalili 21/11/2021 - 13:03 hs

O Brasil vive um renascimento cultural. Não se sabe muita coisa sobre a vida deste compositor. Nasceu em 1884. Cresceu em Paquetá. Foi aluno de Francisco Braga, destacou-se pela graça e riqueza de sua obra. Deixou lindas peças para piano, mais de cem. Algumas chegaram a ser gravadas pela incrível Guiomar Novaes (outro tesouro de nossa música clássica).

Houve sim um rompimento da nossa tradição. Muitos grandes trabalhos e autores desapareceram. Partituras de músicas maravilhosas ainda estão abandonadas pelos porões das editoras, pelos sebos e pelas casas em que viveram músicos. Glauco foi um resgatado do esquecimento; estas lindas peças foram descobertas em montes de papéis velhos, meio rabiscadas, mas ainda legíveis. Tesouros da humanidade abandonados pela descontinuidade da execução e do interesse por nossa música. Finalmente chegamos a um novo momento, no qual músicos mais jovens tem a oportunidade de tocar obras desconhecidas, perante um mundo tão carente de beleza.

O rompimento da transmissão de nossa cultura não se deu apenas com música clássica, aconteceu em todas as áreas, te esconderam Glauco Velasquez para vender o lixo modernista como coisa de gênio, mas também estragaram a música popular - substituindo Jacó do Bandolim e Garoto pelo vale-tudo que chamam hoje de MPB; não pouparam nossos poetas (Bilac, Alphonsus, Azevedo, Cruz e Souza, Castro Alves, Varela, Correia, F.Júlia), nem nossa escola de pintura (Academia Imperial de Belas Artes), nem nossos melhores escritores - hoje desconhecidos de uma população que de tanto ser obrigada a ler a desgraceira progressista, simplesmente odeia ler. Ouro do passado é nossa tradição imperial, riquíssima, edificada com objetivo de criar um “universo imaginário” digno para este povo.

Este processo degenerativo cultural foi planejado, e começou com a horrível “Semana de Arte Moderna de 1922”, coisa de iconoclastas (iconoclastas são os destruidores de símbolos). Havia entre eles (segundo o degenerado Duschamps), o desejo de dessacralizar a arte e a religião, substituindo nossos desejos mais elevados pela estupidez em que hora decaímos. Aparvalhar para dominar. Por detrás da máscara de intelectualidade do modernismo, encontramos homens fúteis de egos gigantescos e mentes obliteradas pelo relativismo. Não te assuste quando perceber-se pronto para atirar teus ídolos no lixo. Dane-se Picasso, dane-se Nietszche, dane-se Freud, dane-se toda a arte moderna, da qual a arte moderna brasileira é apenas um puxadinho sem nenhum valor ou interesse.