ALTA CULTURA - GRANDES NOMES DA MÚSICA CLÁSSICA BRASILEIRA

Suíte Vila Rica - Mozart Camargo Guarnieri:

Por Maestro Roberto de Souza Barros Kalili 02/01/2022 - 14:01 hs

Eu tinha uma banda de rock progressivo em 1982, fazíamos ensaios abertos em Campo Belo. Havia um rapazote de cabelo encaracolado que sempre assistia, ele dizia que gostava do som, mas bom mesmo era o avô dele. Quando a gente perguntava o nome do avô, ele respondia: Mozart! Claro que a gente achava que ele estava gozando com nossa cara e chutava o moleque para a rua! Mas eu fiquei curioso e uma noite de setembro fui conhecer o trabalho deste avô no auditório da faculdade de arquitetura da USP.

Havia uma orquestra de cordas realizando os ponteios do Maestro, fiquei impressionadíssimo e ao final do espetáculo fui cumprimentá-lo e perguntei qual era o segredo daquela música com várias melodias interagindo ao mesmo tempo. Contraponto, ele me respondeu com o dedo em riste apontando para o céu. Estava decidido, dia seguinte fui estudar violino e contraponto. Passei a acompanhar com entusiasmo os ensaios do grupo e me apaixonei pela música clássica.

Guarnieri foi um compositor extremamente competente na arte contrapontística e inspirado pela música regional.     

A sensação que ele passava nos ensaios era de uma longa relação de mestre-discípulo com os membros da orquestra. Havia uma áurea mística em seus gestos e expressões e pouco importava que o mundo fora daquela sala estivesse focado em outras coisas, estávamos no centro, que o mundo girasse em torno.

Mas assim é o Brasil, o povo inculto desconhece completamente a boa música, despreza os valores mais altos e aprende a chamar de gênios aos queridinhos da mídia; não me refiro aqui ao povão que come frango com farofa na Praia Grande, mas aos estudantes de medicina, odontologia, engenharia, filosofia e arquitetura na faculdade que presumiam lhes traria alguma formação acadêmica. Alunos não conheciam o maestro, não escutavam a orquestra, não sabiam o que acontecia. Posso culpar os professores, quase todos tão ou mais incultos que seus alunos, aferrados às balelas popularescas da velha escola de Frankfurt.

A ignorância do povo brasileiro não é um acaso, é um descaso. Não compreendem que o que importa não é o que você faz com a arte, mas o que a arte faz com você. Boa música te torna mais inteligente, estabelece relações neurais sutis, ativa o hipocampo, o núcleo accumbens, o sistema linfático e (quando você assiste um concerto ao vivo) o pré-frontal; fazendo os neurônios dançarem como num sonho. Vamos escutar esta bela suíte orquestral e refletir sobre as coisas boas que o Brasil está deixando de lado, enquanto perde tanto tempo, esforço, dinheiro e trabalho cultivando obras absolutamente desprezíveis.

 Ignoremos a mídia que nos oblitera e o MEC cujo compromisso com a educação é uma nulidade. Aprendamos com os mestres. Suíte Vila Rica - Mozart Camargo Guarnieri:




 

 

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