ALTA CULTURA - GRANDES NOMES DA MÚSICA CLÁSSICA BRASILEIRA

Heitor Villa-Lobos

Por Maestro Roberto de Souza Barros Kalili 16/01/2022 - 13:36 hs

Sei, você vai dizer que é o maior compositor brasileiro e posar de entendido; só que nunca parou para escutar, exceto talvez uma ou duas das Bachianas. Não vai tentar me enganar agora, depois que eu lhe apresentei todos esses nomes e músicas. Vamos consertar isto, foi coisa da mídia, promulgar frases feitas, gostos pré-fabricados, artistas escolhidos, mas olhe que coisa: todos dizem que o Villa foi nosso maior compositor sem conhecer nenhum outro compositor clássico brasileiro e sem conhecer nem o próprio Villa. Talvez alguns tenham assistido ao filme, no máximo. Hoje, se me permitem, vou procurar aprofundar o assunto.      

Villa-Lobos foi um grande marqueteiro de si mesmo, nasceu no Rio de Janeiro, estudou música clássica desde bem novo, mas subiu o morro e foi escutar a turma da “velha guarda”, Pixinguinha, Donga, João da Baiana, Benedito Lacerda. Com violão, o maestro tocava choro. Ao piano compunha peças orquestrais; e com o violoncelo construía o seu próprio estilo, intimista e seresteiro. Compunha principalmente voltado para a música barroca, mas sempre procurou se posicionar politicamente para não perder seu lugar ao sol. Foi getulista, modernista, popular, mas nunca sacrificou sua obra para isto, o que lhe valeu a fama de demagogo. Eu explico: a mesma música que ele vendia como barroca pela manhã se tornava nacionalista de tarde e modernista pela noite afora, mudava o argumento, jamais a partitura.

Villa tornou-se um marco nas composições para o violão e também no repertório para violoncelo. Tentou ensinar música para todo o Brasil, com seu projeto de canto orfeônico. Explicava que: caso o brasileiro não estudasse música, iria acabar escutando as coisas mais idiotas. Alguém duvida? Uma desculpa formal que as pessoas se dão, é que gosto não se discute - como se isto bastasse para justificar a perda do senso de proporção. Outra ladainha comum repete que a beleza esta nos olhos de quem vê. Esta é uma frase antiga, indiana, utilizada de forma absolutamente descontextualizada. Mesmo na índia clássica, o Baghavad Gita (surpreendentemente convergente com a Torá judaica e com os trabalhos de São Boaventura), afirma que a beleza das coisas esta em exprimirem uma imagem do Deus invisível. Não importa o que você faz com a arte, importa aquilo que a arte faz com você.

Diferente dos compositores que apresentei até agora, quem procurar estuda-lo encontrará vasto material: Bachianas Brasileiras, Choros, Estudos para Violão, A Prole do Bebê são um bom começo, também o belíssimo concerto para harpa, um concerto para violão e a suíte popular brasileira. Hoje escutamos uma das mais belas peças de Heitor Villa-Lobos, “Sexteto Místico” – para flauta, harpa, violão, celesta, oboé e saxofone – uma instrumentação única, jamais utilizada antes ou depois.