RÚSSIA VERSUS OTAN

A posição do Brasil nesse cenário

Por Vinícius de Freitas Silva 24/03/2022 - 11:06 hs

  

Analisar um cenário de conflito internacional não é uma tarefa simples e muito menos uma tarefa fácil.

Existem muitos fatores para analisarmos ao tomarmos como verdade determinados discursos.

A imprensa mundial geralmente costuma tomar um único lado como verdadeiro e esse lado geralmente é aquele que detém o capital na área das comunicações.

Como bem disse Juca Chaves tempos atrás: “A nossa imprensa é muito séria, se você pagar bem eles até publicam a verdade”.

Quando você acessa um portal de notícias, você vê análises simplistas do conflito na Ucrânia, onde a imprensa estabeleceu um mocinho e um vilão, só que na vida real não funciona exatamente assim.

E o simplismo não se limita apenas aos analistas do conflito, mas também para aqueles que poderiam contribuir para a resolução do conflito.

Um exemplo de simplismo é você ouvir de alguém que a Rússia é a grande culpada do conflito, porque foi ela quem iniciou a guerra – só que esse é um pensamento muito simplório e desprovido de inteligência.

Guerras existem desde que o mundo é mundo e sempre existirão enquanto os seres humanos existirem sobre a terra, pois nós temos essa natureza selvagem e predatória dentro de nós – Platão e São Thomaz de Aquino já falavam sobre isso séculos atrás.

Dizer que você é contra a guerra não resolve absolutamente nada!

 


 

Quem geralmente diz “eu sou contra a guerra e favorável a paz” quer apenas se autopromover e demonstrar o quanto é uma pessoa pura e boa, sem contribuir com absolutamente nada.

A paz é um fim e não um meio e jamais devemos iniciar qualquer tipo de debate pelo fim e sim devemos debatermos os meios pelos quais atingiremos determinados fins.

Entender as causas do conflito e a nossa posição no conflito é fundamental para buscarmos uma solução para o término do conflito que aí sim resultará na paz.

Já faz algum tempo que a Ucrânia vem sendo assediada, desde o início dos anos 2000, pela Organização do Atlântico Norte (OTAN) – que é uma organização internacional fundada em 1949, para fazer frente à até então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que dissolveu em 1991.

A OTAN surgiu para contrapor o comunismo do leste europeu e sua principal finalidade é militar.

A OTAN detém um grande orçamento militar e tem mantido bases militares espalhadas por grande parte da Europa.

Ocorre que não existe mais União Soviética e desde 1991 o mundo mudou o que fez com que a OTAN ficasse em uma encruzilhada, pois como poderia agora ser justificada a sua existência?

Uma das mudanças da OTAN foi fazer da Rússia – agora um país capitalista e em desenvolvimento – a sua nova inimiga, como se essa tivesse herdado da União Soviética o seu papel de algoz.

Curiosamente a OTAN tem feito vistas grossas para República Popular da China, já que boa parte dos países da OTAN tem na China um importante parceiro comercial.

Assim sendo, a Ucrânia tem aderido ao assédio da União Europeia e dos Estados Unidos, e estreitado laços com a OTAN.

O grande problema é que – como eu disse anteriormente – a OTAN é uma antagonista da Rússia, que não quer ter uma base militar da OTAN próxima de sua fronteira.

Era nítido que a Rússia reagiria a qualquer investida da OTAN no leste europeu, os Estados Unidos sabiam disso e à União Europeia também.

Então podemos dizer que os Estados Unidos e a União Europeia cutucaram a onça com vara curta – como os caipiras falam no Brasil.

Foi um ato de provocação premeditado, haveria consequências sérias para os agentes envolvidos diretamente, como a Rússia e a Ucrânia.

A Rússia tem um importante Produto Interno Bruto (PIB) estando entre os dez maiores PIBs do mundo, além de ser uma potência militar, científica e industrial exportando armas, minérios, petróleo e gás entre outras coisas.

Brasil e Rússia juntamente com China, Índia e África do Sul formam o grupo chamado de BRICS que é o grupo dos países em desenvolvimento.

Cada vez mais os países do BRICS aumentam sua importância no cenário internacional e cada vez mais ocupam um espaço maior e de maior relevância no cenário internacional.

A cooperação entre os países do BRICS é de suma relevância para o desenvolvimento dessas nações e já gerou importantes frutos em diversas áreas.

Sendo o Brasil um país em desenvolvimento e um membro do BRICS, qual seria então o posicionamento ideal do Brasil nesse conflito, já que temos a Rússia como um importante parceiro comercial e aliado político, mas condenamos uma agressão a soberania de outro país?

O Brasil deve adotar uma postura pró Rússia, uma vez que não se trata de uma guerra contra a Ucrânia, mas de um embate entre a Rússia e a OTAN – que é uma organização internacional.

Trata-se de uma operação militar de defesa da Rússia contra uma organização criada para ser sua antagonista e que tem assediado o seu país vizinho.

 


 

O Brasil deve deixar bem claro no cenário internacional que não defende o uso da força militar contra o povo ucraniano, mas que reconhece o direito da Rússia proteger suas fronteiras e sua soberania, e de afastar um inimigo declarado para longe de seu território e zona de influência.

Nós não temos nada para ganhar no Direito Internacional Público (DIP), ao endossar discursos dissimulados dos Estados Unidos e da União Europeia.

Destaca-se o fato que a Ucrânia proibiu brasileiros de servirem como voluntários em suas forças de defesa justamente por considerar o Brasil um aliado da Rússia e exigir do Brasil um posicionamento mais firme contra a Rússia que não irá ocorrer.

É importante frisar que os Estados Unidos e a União Europeia – que hoje condenam a operação militar russa, sob o argumento de violação da soberania da Ucrânia – já ameaçaram o Brasil com sanções por causa da Amazônia, chegando ao ponto de o presidente francês (Macron) defender a internacionalização da Amazônia na ONU.

Também não podemos esquecer que Vladimir Putin já se manifestou em nível internacional na defesa do Brasil, no que tange a soberania brasileira sobre a Amazônia e não devemos apunhalar um aliado pelas costas.

Além do mais, não há perspectivas de vitória da Ucrânia sobre a Rússia, muito antes pelo contrário!

A continuação desse conflito só irá gerar mais mortes e destruição da infraestrutura da Ucrânia e, portanto, a melhor alternativa para a Ucrânia é a rendição e o Brasil deve ter esse discurso no cenário internacional.

De certa forma, a proibição da Ucrânia aos brasileiros que queriam lutar em suas defesas foi positiva para o Brasil, pois primeiramente evitará mortes e incidentes diplomáticos com brasileiros no conflito, e em segundo lugar porque deixou bem claro como na prática a Ucrânia e os demais países enxergam o Brasil, que é com desconfiança.

E nós brasileiros não devemos ser aliados daqueles que desconfiam de nosso país.

Temos anseios pela paz, mas a paz só virá muitas vezes com medidas duras e a paz hoje passa pela rendição da Ucrânia e de sua desmilitarização.