A ESTUPIDEZ ANTROPOLÓGICA

ninguém vai a fundo na questão, que é infinitamente mais complexa...


Estes dias assisti o Jornal Hoje, da Globo.

Vejo de vez em quando, para me inteirar do que e de que eles estão falando. É bom saber onde está, o que pensa e o que anda fazendo o adversário. Aprendi lendo o bom e velho livro a Arte da Guerra, do também velho e bom Sun Tzu.

Segundo a emissora, por si e reproduzindo a mídia internacional, não foram as instituições públicas, tais como a Policia Federal, Polícia Civil do Amazonas, Exército, Marinha e Aeronáutica  que esclareceram o assassinato do cidadão inglês de nome Dom Philips e do brasileiro Bruno Pereira, quem teria resolvido tudo, segundo a esposa do cidadão inglês e a mídia internacional, teriam sido os indígenas e a ONG UNIVAJA que atua no vale do rio Javari. Os agradecimentos foram expressamente dirigidos somente a estas duas entidades.

Nada justifica a morte destas duas pessoas, nada, ninguém merece morrer como eles morreram, mas tratar um fato como este de forma político/ideológica não ajuda em nada. Na verdade as reportagens não conseguem esconder que apenas desejam tirar algum tipo de vantagens política do trágico evento e desgastar o atual governo.

O problema é que ninguém vai a fundo na questão, que é infinitamente mais complexa que a maioria pensa, envolvendo enormes interesses geopolíticos internacionais.

Como resolver então uma questão que envolve mais de vinte milhões de brasileiros, em terras não demarcadas, “sem dono”, dispersos por um território de florestas infinitas, naturalmente perigosa, seja pelas condições ambientais, seja pelos naturais confrontos decorrentes da desordem territorial, onde a posse da terra e dos meios de produção são disputados pela força bruta, de forma primitiva, por aventureiros de toda ordem?

Por conta destas dificuldades impera na mídia, sustentada por interesses inconfessáveis, um discurso distorcido da realidade, onde se vende a ideia de que o Estado só não resolve o problema porque não quer, por pura maldade, incompetência ou corrupção, sendo o principal culpado o Presidente da República que estiver no governo e que o Brasil está destruindo a Amazônia. Nada mais falso, hipócrita e cretino.

É preciso entender que as comunidades embrenhadas na Amazônia vivem, basicamente, da exploração dos recursos naturais da região, pesca, caça, coleta, exploração de madeira e garimpos, entre outras atividades menores. Seres humanos, desde a sua forma de organização mais primitiva, não podem prescindir de abrigo contra as intempéries e de alimentos. Seres humanos, os bons e os maus, não tem o costume de se deixar morrer de fome onde há peixes, animais de caça, minerais e vegetais valiosos.

 Seres humanos tem o hábito de matar e até morrer pela sua sobrevivência e dos seus entes queridos para se manter vivo e à sua prole. O mundo é assim desde que o Criador colocou os humanos aqui neste planeta. Por isto afirmo que, sobreviver em uma região inóspita como a Amazônia, não é para qualquer um, não é para gente que tem medo de cobra, de onça e é alérgica a picada de mosquito. Digo isto porque viajo para região amazônica, no mínimo uma vez por ano, isto há mais de vinte anos, tendo contato com índios e comunidades ribeirinhas. Enquanto não se regularizar a propriedade da terra e a exploração sustentável dos recursos naturais da região, as pessoas vão continuar se matando. É preciso entender também que se eu não sou melhor que nenhum índio, nenhum índio também não é melhor que eu. Mais ainda, há uma diferença enorme entre índios “aculturados” e os “não contatados”.

Se os aculturados possuem terras com riquezas, estas riquezas precisam ser exploradas, não só para a melhoria da qualidade de vida deles, como também de todos os brasileiros. Transformar reservas indígenas em verdadeiros “Jardins Antropológicos”, é, antes de tudo, de uma estupidez antropológica, para não dizer “Suprema”.

É o que penso.



Procurador de Justiça -MPDFT