Os meios de comunicação e a intentona dos alcaides!

O clima de paranoia, loucura mesmo que arrastou tantos incautos a ponto de prender homens e mulheres jovens e inteligentes em cárcere privado

Por Carlos Eduardo de Almeida Branco 09/04/2020 - 23:07 hs

Os meios de comunicação e a intentona dos alcaides!

Sem a televisão aberta a intentona dos prefeitos e governadores se tornaria simplesmente impraticável.

O clima de paranoia, loucura mesmo que arrastou tantos incautos a ponto de prender homens e mulheres jovens e inteligentes em cárcere privado, por causa da e uma gripe absolutamente comum como as que surgem todos os anos, realmente nos deixa perplexos. Amizades, relacionamentos e ate famílias inteiras são destruídas, e em nome de tal histeria, os novos “fiscais do Sarney” com álcool em gel, regrinhas de saúde e higiene e denuncias vão, replicando o discurso do “pise no meu pescoço, acorrente-me e escravize-me”, tão comum no ocidente atual.

Alias, por falar em higiene, a turma do álcool em gel muitas vezes não parece ter muita noção sobre a origem, manuseio, fabricação ou uso de suas tão preciosas mascaras, usando-as por dias a fio e depois pondo-as no bolso....Quantos entregadores de pizza com máscara e sem capacete por ai... Vai entender...

Há uma teoria que diz que os mais velhos são ávidos por televisão podre por herança da TV Tupi, mas isso não explica como, 40 anos após o fim da emissora, a população consome todo tipo de vulgaridade e lixo cultural como “entretenimento”... Se um restaurante nos oferece alimento deteriorado ou imundície, simplesmente nos levantamos e vamos embora. Mas essa lógica não nos vale para produtos de TV. Por isso o alçapão que nos trouxe ao cárcere privado e escravidão social e política está precisamente no fenômeno da avidez pelo consumo de torpeza, podridão, desgraça, bizarrices e desinformação. Essa secura pelo grotesco nada tem a ver com a idade ou a condição social. Talvez seja uma espécie de catarse tóxica no qual se tem alívio por ver o outro sempre em condição pior do que nós, e desenvolver um sentimento de “pena” patológica, ou mesmo de “empoderamento”. Não sou especialista, mas seja como que for... Não é coisa boa.

Esse mal esta infelizmente impregnado na alma de nosso povo, desde o momento nos anos 1960, em que no ponto monárquico de nossas salas, o crucifixo, a bíblia ou a Torá foi substituída por este aparelho, que custava cerca de um ano de trabalho de um trabalhador braçal, mas que em apenas 5 anos, e sem “pagamento à prestação”, como dizia Raul Seixas, estava onipresente nos lares brasileiros. Em minha casa, nos anos 1970, já ficamos três dias sem geladeira, mas a TV queimada foi consertada primeiro... Esse novo oráculo eletrônico passou a determinar o que é o bem e o mal, e o silêncio hoje nos irrita.

Foram portanto cerca de 5 dias de “tratamento de choque” televisivo antes de nossos prefeitos e governadores arvorarem-se de poderes típicos de um Nero ou de um Calígula, tirando nos o direito de ir e vir, a contar do primeiro fim de semana de março. Fomos proibidos em seguida de trabalhar, de velar nossos mortos, de ir a um sistema de saúde qualquer, entrar em agencias bancárias, ou simplesmente andar pela rua, viajar ou fazer compras.

Durante cinco dias antes das medidas restritivas estourarem, simultaneamente por todo o país, “25 horas por dia” de pânico sendo ruminado sem descanso. Toda a programação, toda a parte “notícias”, de entretenimento, culinária etc, inclusive nas emissoras ditas “católicas”, em fim, todos os picos de atenção em cada sessão de hora foram destinados a uma função reset cerebral nas mentes de todos os que assistiam, por livre e espontâneo mau- gosto, ou forçados, na importa.

Já assistimos coisa parecida no passado: A ridícula cobertura da morte de Tancredo Neves, dos Mamonas Assassinas; de Ayrton Senna e de diversas celebridades; recentemente as tragédias como a de Brumadinho, transformadas em palanque midiático um circo dos horrores, esticadas por três, quatro dias de

programação integral, onde o que menos importa é a notícia em si ou a dor pelo sofrimento das vítimas. O circo abre as portas para a decretação de “estado de calamidade”, e aí os cofres públicos estão generosamente abertos aos prefeitinhos e seus asseclas. Mas nessa escala de cooperação, cooptação e arrepio da lei que vemos hoje, isso nunca ocorreu.

E eis que quando tudo isso parecia coisa do passado, ( inclusive a TV) ou pelo menos sob certo controle ético... A velha inimiga eletrônica da inteligência humana mostra sua força novamente. No meio desses escombros, o plano da tirania vai se descortinado com a clareza do álcool em gel...


Prof. Carlos Eduardo de Almeida Branco, nasceu em 1972,  bacharel em direito e história, mestre em história pela UERJ, lecionando história e filosofia no Município e Estado do Rio de Janeiro...